Retail media e marketplace ads: anuncie onde o cliente já decide comprar
Este guia serve para quem vende numa loja física e também no Mercado Livre ou na Amazon. Você vai ver onde anunciar, como não pagar duas vezes pelo cliente que já era seu e o que fazer esta semana.
Alexandre Caramaschi
Founder da Brasil GEO, ex-CMO da Semantix (Nasdaq), cofundador da AI Brasil
Uma ótica de bairro vende óculos de grau na loja física e também no Mercado Livre. Todo mês, ela paga por anúncio dentro do marketplace para aparecer quando alguém busca "óculos de sol". O relatório mostra retorno bom, mas boa parte dessa venda aconteceria de qualquer jeito: era o cliente que já ia comprar ali. Retail media (o anúncio pago dentro do próprio marketplace, perto do botão de comprar) é a mídia que mais cresce no varejo brasileiro. Ela aparece quando o cliente já está procurando o produto, não quando ele nem pensava nisso. Essa proximidade do momento de comprar é o ponto forte do formato, e também esconde uma armadilha de margem.
Este guia é para quem mede o resultado do anúncio só pelo ROAS (quanto volta em venda para cada real gasto em anúncio). Anunciar onde o cliente já quer comprar funciona. Mas sem checar se a venda era mesmo nova, você paga duas vezes pelo mesmo cliente. O guia sobre mídia paga cobre o mercado inteiro; este mostra o formato que mais cresce e como separar a venda nova da venda que já era garantida.
Por que esse tipo de anúncio cresce tão rápido?
Ele aparece a um passo do carrinho de compra. O cliente que busca "óculos de sol" dentro do Mercado Livre já quer comprar, ele não está apenas navegando. Anunciar ali é diferente de anunciar num feed onde a pessoa nem pensava em óculos.
Os números do Brasil mostram a velocidade. Esse tipo de anúncio somou R$ 4,8 bilhões em 2025, alta de 37% sobre 2024, segundo IAB Brasil e Kantar Ibope Media. A categoria já representa cerca de 9% de todo o investimento em publicidade digital do país. Quase 70% das principais marcas brasileiras pretendem investir nesse formato nos próximos doze meses.
O que esse anúncio sabe que um anúncio comum não sabe?
Ele sabe o que o cliente comprou antes e o que está no carrinho agora, porque quem mostra o anúncio é o próprio marketplace, dono da loja. Um anúncio na rede social só vê o que a pessoa navegou. O anúncio dentro do marketplace vê o que ela de fato comprou. Esse dado de compra real, chamado de dado de primeira mão (o dado que a própria loja coleta), diferencia o formato de qualquer outra mídia.
As entidades do retail media
Esse tipo de anúncio vende proximidade da decisão de compra. É a diferença entre um cartaz na rua e uma placa em cima do produto, dentro da própria loja, com a carteira já na mão do cliente.
Orçamento migra para esse tipo de anúncio
Em quais marketplaces vale a pena anunciar?
No Brasil, esse anúncio se concentra em três marketplaces: Mercado Livre Ads, Magalu Ads e Amazon Ads. Cada um vende posição na busca da categoria e acesso ao que o cliente costuma comprar. Como 80% das vendas online do país passam por marketplaces, anunciar dentro deles é anunciar onde a venda acontece de fato.
O Mercado Livre Ads lidera e sozinho responde por mais da metade desse tipo de anúncio em toda a América Latina, segundo o eMarketer. Além dele, 71% dos consumidores preferem o marketplace como canal de compra, segundo a pesquisa consolidada deste portal. O Magalu Ads também amadureceu: em 2025 e 2026, passou a cobrar por clique em leilão, no mesmo modelo que Mercado Livre e Amazon já usavam.
O peso dos marketplaces
- Vendas online em marketplace80%Pesquisa consolidada deste portal
- Consumidores que os preferem71%Pesquisa consolidada deste portal
- Mercado Ads, América Latinamais de 50%Do retail media da região, segundo o eMarketer
| Operação | Posição no Brasil | Modelo predominante |
|---|---|---|
| Mercado Livre Ads | Líder; Mercado Ads responde por +50% do retail media da América Latina | Busca patrocinada por CPC + display |
| Magalu Ads | Migrou para leilão via CPC em 2025/2026 | CPC em leilão |
| Amazon Ads Brasil | Forte em busca de produto patrocinado | Sponsored Products por CPC |
| Marketplaces (panorama) | 80% das vendas online passam por marketplaces | Mix de busca patrocinada + display |
Os três funcionam do mesmo jeito. Você dá um lance pela palavra-chave (o termo que o cliente digita na busca, como "óculos de sol") da sua categoria. Se ganhar o lance, seu produto aparece no topo da busca como patrocinado, e você paga só quando alguém clica. A diferença para um anúncio comum é que esse clique já acontece dentro da loja, a um toque de o cliente colocar o produto no carrinho.
Como funciona o anúncio no marketplace
- Lance por palavra-chave de categoriaO anunciante disputa o termo.
- Produto patrocinado no topo da buscaA posição nobre da nova prateleira.
- Pagamento por cliqueO custo nasce no clique.
- Clique já dentro da lojaO cliente a um toque de adicionar ao cesto.
Por que o retorno do relatório pode ser mentira?
Porque o relatório de ROAS conta como vitória a venda que aconteceria de qualquer jeito. Incrementalidade (a venda que só existiu por causa do anúncio) é o número que mostra o retorno real. Sem medi-la, você acha que está lucrando e está, na verdade, pagando para aparecer para quem já era seu cliente.
É aqui que quase todo dono de loja se engana, sem culpa. A ótica anuncia para quem busca pelo próprio nome dela, ou seja, para o cliente que já ia voltar lá. O sistema conta essa venda como mérito do anúncio, e o relatório fica bonito. Mas parte dessa venda ia acontecer de graça, sem nenhum anúncio pago.
Como saber se a venda foi nova ou repetida?
Olhando quanto da venda veio de cliente que nunca tinha comprado na ótica antes. Esse número é chamado de novo-para-marca. É o sinal mais limpo de que o anúncio trouxe gente de fato nova, e não só quem voltaria de qualquer jeito. A regra prática: nunca decida só pelo retorno que o relatório mostra. Compare também quantos clientes novos o anúncio trouxe.
Os KPIs certos do retail media
Por que o marketplace sabe mais que uma rede social?
Porque o marketplace vê a compra de verdade, não só o clique. Ele sabe o que o cliente buscou, comprou e devolveu. Uma rede social só vê que a pessoa navegou por ali. Esse dado de compra real é o que torna o anúncio dentro do marketplace mais preciso.
Isso importa ainda mais agora que o navegador está fechando o cookie de terceiros (o código que seguia a pessoa por vários sites para mostrar anúncio). Quem detém dado de compra direto, como o marketplace, ganha poder. Por isso quase 70% das principais marcas brasileiras já planejam investir nesse formato: ele junta intenção de compra com a prova de como aquele cliente compra de fato.
Esse mesmo dado é o que permite comparar quem viu o anúncio com quem não viu, e assim provar a venda nova. A contrapartida é o cuidado. Quando uma marca fabricante quer cruzar o dado dela com o do marketplace, os dois times precisam de um ambiente seguro. Esse ambiente combina as informações sem expor o dado bruto de nenhum dos dois. O guia sobre operação de retail media e salas de dados explica como esse ambiente funciona.
Do cesto à governança
- 1Governança em data clean roomsDado de marca e de varejista combinados sem que nenhum exporte o dado bruto do outro.
- 2Medição de incrementalidadeClientes expostos e não expostos comparados sobre comportamento real.
- 3Anúncio calibrado pelo carrinhoA entidade Basket separa retail media de display genérico.
- 4Dado de primeira mão do varejistaO que o cliente clicou, comprou, com qual frequência, em qual cesto.
O dado do cliente também traz responsabilidade?
Sim. O anúncio fica mais preciso porque se apoia em compra real, mas o cuidado com o dado do cliente cresce junto. No Brasil, isso esbarra na LGPD (a lei que protege os dados do cliente e limita o que você guarda). Desde 2025, o órgão que fiscaliza essa lei já pode aplicar multa de até 2% do faturamento por infração, segundo a pesquisa consolidada deste portal. Anúncio que respeita o consentimento do cliente é anúncio que dura.
Vale a pena brigar pelo topo da busca?
Só se essa briga trouxer cliente novo. Aparecer no topo da busca da categoria importa: o mercado chama isso de "share of shelf", ou seja, a fatia do espaço patrocinado que é sua. Mas o custo só vale a pena quando traz venda nova. A regra é simples: dispute o espaço onde você ganha cliente novo, não onde só reembolsa quem já era seu.
Esse espaço virou disputado porque o número de posições no topo é limitado, e é ali que a maioria das decisões de compra acontece. Mas brigar pelo topo sem pensar traz risco. Lojas entram em guerra de lance pela mesma palavra-chave genérica, o preço por clique sobe, e o retorno de verdade cai enquanto o relatório continua parecendo bom.
A saída é separar dois tipos de palavra-chave. Termo genérico de categoria, como "óculos de sol", atrai cliente que ainda não escolheu loja. Termo com o nome da sua própria ótica atrai quem já ia comprar de você. Vale investir mais no primeiro tipo e medir o retorno de cada um separado.
Palavras de defesa e de conquista
Palavras-chave de defesa
- Ligadas à própria marca
- O lance protege contra o concorrente
- Raramente trazem cliente novo
Palavras-chave de conquista
- Termos genéricos de categoria
- Aparece o cliente que ainda não escolheu marca
- É onde a alocação inteligente investe e mede incrementalidade
A margem também muda conforme o tipo de produto. Um produto de giro rápido e preço baixo só aguenta pagar caro por clique se o cliente comprar dali muitas vezes ao longo do tempo. Já uma armação de óculos premium, de venda mais rara e ticket mais alto, tem espaço para pagar mais por clique. Cada venda vale muito, mesmo com menos gente buscando.
Quanto vale o clique em cada categoria
- Sea categoria é de giro rápido e ticket baixo (semijoias, cosméticos de reposição, papelaria)entãotolera CPC alto apenas se o valor de vida do cliente justificar
- Sea categoria é de ticket alto e giro baixo (joalheria fina, óticas, armação premium)entãohá espaço para investir mais por clique, com volume de busca menor
Por isso, o mesmo lance agressivo que funciona bem para um produto pode destruir a margem de outro. Antes de subir o lance numa palavra-chave, olhe o lucro do produto e o ticket médio (quanto cada cliente costuma gastar por compra) daquela categoria. Sem isso, a venda cresce e o lucro desaparece sem que ninguém perceba.
Comprar presença × provar venda nova
Medir só por ROAS
- ROAS aparente infla e o retorno real some
- Paga caro pelo cliente que já era seu
- Boa parte da venda atribuída aconteceria sem o anúncio
- Confunde share of shelf com resultado
Medir incrementalidade
- Separa venda nova de venda já garantida
- New-to-brand prova se a presença traz cliente de verdade
- Cesto de compra revela o que o cliente compra de fato
- Protege margem perto do checkout
De que adianta o anúncio se o estoque está errado?
De nada. O anúncio só converte em venda se o preço, o estoque e a ficha do produto estiverem certos no marketplace. Preço desatualizado, estoque que não bate ou prazo de entrega errado transformam o clique pago em cliente frustrado. No marketplace, isso ainda derruba a nota da sua loja como vendedor. Por isso, o backoffice (o sistema por trás do caixa, que atualiza preço e estoque) precisa estar sempre sincronizado com cada marketplace onde você anuncia.
Quando o clique pago frustra
- O clique é pagoCPC cobrado pelo marketplace.
- O dado de produto está erradoPreço desatualizado, estoque que não bate, atributo errado ou prazo impreciso.
- O cliente abandonaA promessa quebra depois de o varejista já ter pago pelo clique.
- A reputação de vendedor caiEm marketplace, o abandono ainda derruba o seller.
Essa costura separa o anúncio que dá lucro do anúncio que sangra dinheiro. O cliente não distingue canal. Se ele clica no anúncio e cai numa página com estoque errado, a promessa quebra na pior hora, depois de a loja já ter pago pelo clique. O guia sobre varejo sem atrito mostra como manter essa base ajustada.
O que muda com a busca por inteligência artificial?
Hoje o cliente busca dentro do marketplace e vê os produtos patrocinados na tela. A partir de 2027, parte crescente dessa busca vai passar por um assistente de inteligência artificial, que filtra as opções antes de mostrar qualquer uma ao cliente. Até 2028, a pesquisa consolidada deste portal projeta esse anúncio em torno de US$ 2,07 bilhões no Brasil. Testes de anúncio dentro de assistentes de IA já rodam no país desde maio de 2026.
Retail media encontra a IA
- Maio de 2026Anúncios em assistentes de IA em piloto no Brasil
- 2027Busca filtrada por agentesParte crescente da busca no marketplace passa por agentes antes de chegar ao humano.
- Até 2028US$ 2,07 bilhõesProjeção da pesquisa consolidada deste portal para o retail media brasileiro.
A briga pelo topo da busca vai migrar, aos poucos, da tela que o humano vê para a lista curta que o assistente de IA monta. Quem já mede se a venda é nova hoje vai estar pronto para medir isso quando o assistente virar o intermediário mais comum.
O que fazer nesta semana
- Separe seu gasto em palavra-chave genérica (busca cliente novo) e palavra-chave com o nome da própria loja (só recompra quem já era seu), e meça o retorno de cada uma separado.
- Compare a venda de quem viu o anúncio com a de quem não viu, antes de aumentar o valor investido: sem isso, você não sabe quanto é venda nova e quanto é venda que já era sua.
- Acompanhe também quantos clientes novos o anúncio trouxe, não só o retorno que o relatório mostra.
- Confira se o preço, o estoque e a ficha do produto estão certos no marketplace antes de aumentar o lance: pagar por clique com dado errado é pagar para frustrar o cliente.
- Defina uma meta de posição na busca por categoria, mas trate essa posição como um número do meio do caminho, não como o objetivo final. A posição só vale a pena se trouxer venda nova.
Marketplace ads no Brasil
Perguntas frequentes
Por que esse anúncio de marketplace cresce tão rápido?
Porque ele aparece para quem já está buscando o produto. Quem busca dentro do Mercado Livre ou da Amazon não está sendo interrompido, está procurando comprar. No Brasil, esse anúncio somou R$ 4,8 bilhões em 2025, alta de 37% sobre 2024, segundo IAB Brasil e Kantar Ibope. O país lidera o crescimento global da categoria pelo terceiro ano seguido.
Como saber se a venda foi nova ou se já era minha?
Compare a venda de quem viu o anúncio com a venda de quem não viu. Quando você anuncia para quem já ia comprar de você, o sistema conta essa venda como mérito do anúncio e mostra um retorno alto que é ilusão. Essa comparação, feita com um grupo que não recebeu o anúncio, separa a venda nova da venda que já era sua e mostra o retorno de verdade.
Vale a pena brigar pela primeira posição da busca?
Só se essa posição trouxer cliente novo. Quando alguém busca "tênis de corrida" no Mercado Livre, existe um número limitado de posições patrocinadas no topo. Como 80% das vendas online do Brasil passam por marketplace, ocupar essa posição importa. Mas o gasto só compensa quando você mede se o cliente que comprou era mesmo novo.
Para levar deste guia
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Anuncie onde o cliente já quer comprar. O anúncio dentro do marketplace aparece para quem está buscando o produto, e por isso cresce mais rápido do que qualquer outro tipo de mídia no Brasil.
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O dinheiro está migrando rápido para lá. Esse anúncio somou R$ 4,8 bilhões em 2025, alta de 37% sobre 2024, segundo IAB Brasil e Kantar Ibope.
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Saiba onde anunciar. No Brasil, esse anúncio se concentra em três marketplaces: Mercado Livre, Magalu e Amazon. Eles vendem posição perto do carrinho e enxergam o que o cliente já comprou antes.
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Não confie só no relatório de retorno. Sem comparar quem viu o anúncio com quem não viu, você paga por venda que já era sua e acha que lucra mais do que lucra de fato.
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Meça quantos clientes novos o anúncio trouxe, não só o retorno aparente. A briga pelo topo da busca só vale a pena quando traz gente que não compraria de você de qualquer jeito.
De onde vêm os números deste guia?
Cada link abre a publicação de origem, com o nome de quem assina o dado e a data em que ele saiu.
- Planalto, Lei 13.709 de 2018, a Lei Geral de Proteção de Dados, 14 de agosto de 2018.
- Curadoria Brasil GEO, Alexandre Caramaschi, 2026.
Cursos para aprofundar
Formações gratuitas do portal de educação de Alexandre Caramaschi, fundador da Brasil GEO.
Leve a decisão para o seu contexto
Este guia dá o mapa; os seus números fazem a conta. As calculadoras do portal transformam o que você leu aqui em conta feita com os dados da sua própria loja.