Esta página explica o que o split payment, que começa em 2027, faz com o dinheiro da sua loja. Serve para quem vende parcelado, no carnê ou em consignação e depende do caixa entre uma venda e outra. No fim, você tem as contas para refazer antes da virada.
O que é o split payment e por que ele mexe no caixa
Hoje você recebe a venda, usa o dinheiro por um tempo e só depois recolhe o imposto. A partir de 2027, essa ordem se inverte.
O split payment, ou pagamento dividido, separa o imposto no próprio momento em que o pagamento é liquidado. Uma fatia sai direto para o Fisco e só o líquido chega ao seu caixa.
Quem faz esse desconto é a estrutura que liquida o pagamento: a credenciadora do cartão ou o agente que fecha a transação. O varejista recebe o valor já descontado. Fonte: Portal NF-e, Nota Técnica 2025.002, 2025.
O caixa muda porque some o intervalo entre receber a venda e pagar o imposto. Esse intervalo financiava estoque, folha e fornecedor, sem que ninguém chamasse isso de empréstimo.
Cenário desta página: uma joalheria que vende aliança no carnê e recebe semijoias em consignação. Ela vai cobrir o mesmo mês com menos dinheiro em caixa.
Do fato fiscal à retenção no caixa
- 2025NT 2025.002Campos de IBS e CBS entram nos leiautes da NF-e e da NFC-e.
- 2026Nota com o tributo estruturadoO varejo emite a nota já com IBS e CBS na origem.
- 2027Retenção na liquidaçãoIBS e CBS saem no ato do pagamento e só o líquido chega ao caixa.
Por que o carnê e a consignação sentem mais
O efeito muda conforme a velocidade do seu recebimento. Quem vende à vista no Pix sente menos, porque o ciclo já era curto e o dinheiro caía quase na hora. Fonte: Banco Central, 2024.
Quem vende a prazo sente mais, porque o líquido encolhe sobre um dinheiro que já demorava a chegar. No carnê da casa, a loja financia o cliente e recebe ao longo de meses.
Se o imposto for descontado na liquidação de cada parcela, cada entrada cai justamente quando o caixa já estava esticado. O carnê que cobria o mês passa a cobrir menos.
Na consignação, a peça fica com o ponto de venda e só vira receita quando alguém compra. O dinheiro entra em pedaços e atrasado, e o desconto reduz cada pedaço.
Na joalheria do cenário, o preço alto e o prazo longo andam juntos. O mercado de joalheria somou US$ 15,29 bilhões em 2025, e o de moda e calçados, R$ 314,9 bilhões no mesmo ano.
| Perfil de venda | Velocidade de caixa hoje | Impacto do split payment |
|---|---|---|
| Pix à vista | Quase imediato | Baixo, ciclo já curto |
| Cartão à vista | Liquidação pela credenciadora | Médio, líquido cai na liquidação |
| Cartão parcelado | Distribuído no tempo | Alto, desconto sobre recebimento distante |
| Crediário e consignação | Longo e fracionado | Mais alto, líquido encolhe sobre prazo já esticado |
Quanto mais longo o prazo de recebimento, mais a loja financiava o mês com o imposto ainda em mãos. Fonte: Portal NF-e, Nota Técnica 2025.002 (2025); Banco Central, estatísticas do Pix (2024).
Quem faz o quê no split
O que muda na conferência dos recebimentos
A conferência ganha uma linha a mais. Antes, você cruzava a venda com o repasse da credenciadora, olhando valor bruto, taxa e prazo.
A partir de 2027, também será preciso validar o imposto retido na liquidação. Quatro números precisam fechar: o bruto, a taxa da credenciadora, o IBS e a CBS descontados e o líquido final.
Quem registra o imposto previsto já na venda confere essas quatro linhas em minutos. Quem não registra reconstrói extrato a extrato, com risco fiscal junto do risco de caixa.
O passo a passo dessa rotina está em conciliação de credenciadora e split payment, e o comportamento nos canais, em split payment em marketplaces.
Quatro linhas que precisam fechar
- Bruto da vendaO valor cheio que o cliente pagou.
- Taxa da adquirenteO que já era conferido antes de 2027.
- IBS e CBS retidosA camada nova, validada na liquidação.
- Líquido finalO que de fato chega ao caixa.
O que a tesouraria precisa recalcular
A projeção de caixa passa a ser feita pelo valor líquido, depois do desconto do imposto. O bruto da venda deixa de servir como base de planejamento.
Isso mexe também na antecipação de recebíveis, porque o valor disponível para antecipar encolhe junto. E mexe na conta PJ e na tesouraria, que passam a separar a reserva de imposto de forma mais fina.
- Projete o caixa pelo líquido depois de IBS e CBS, no lugar do bruto da venda.
- Releia a necessidade de antecipação e de crédito sobre esse novo valor líquido.
- Teste o capital de giro do carnê e da consignação contra o desconto na fonte.
O impacto pode ser dimensionado na ferramenta de impacto do split payment no caixa, e a ordem das mudanças está no calendário da Reforma de 2026 a 2033.
Retaguarda e camada financeira
- 1Camada financeiraAdquirentes e agentes liquidantes executam a retenção na liquidação.
- 2Retaguarda OnclickERP Onclick, KPL, PDV Web e APIECOMM registram a venda com IBS e CBS previstos, no padrão da NT 2025.002.
- 3Origem do dadoNota e recebimento falam a mesma língua, do canal ao prazo de liquidação.
Como preparar a loja antes da virada
O caminho é fazer o imposto nascer certo na origem da venda. A retaguarda, o sistema por trás do caixa, registra cada venda já com o IBS e a CBS previstos, por canal, meio de pagamento e prazo.
A Onclick faz isso no padrão da Nota Técnica 2025.002, ligando o ERP, o KPL, o caixa web e o hub APIECOMM na mesma base. A parte financeira, com credenciadoras e agentes de liquidação, executa o desconto.
O que a retaguarda garante é que o dado da nota e o dado do recebimento falem a mesma língua. Sem essa base, a loja chega a 2027 tentando conferir um desconto que nunca registrou.
Quem cuida do dinheiro assume a frente nessa transição, como mostra a página do caixa do varejo para quem cuida do dinheiro. O trabalho começa antes de 2027, com simulação, renegociação de prazo com fornecedor e reserva dimensionada.
O próximo passo concreto
- Leia o mixSepare as vendas por meio de pagamento e por prazo de recebimento.
- Calcule o intervaloQuanto do caixa atual vinha do prazo entre receber e recolher imposto.
- Projete o líquido de 2027Estresse o capital de giro de carnê e consignação contra a retenção.
- Faça a venda nascer certaIBS e CBS no padrão da NT 2025.002, para que a conciliação vire conferência.
Setores que mais refazem a conta
Por onde começar
Comece separando as vendas por meio de pagamento e por prazo de recebimento. Calcule quanto do seu caixa de hoje vinha do intervalo entre receber e recolher o imposto.
Depois, projete o líquido de 2027 sobre esse mesmo mix e teste o capital de giro do carnê e da consignação. Onde o aperto aparecer, negocie prazo com o fornecedor antes da virada.
Volte à joalheria do começo. Com o imposto previsto em cada venda e a projeção feita pelo líquido, a virada de 2027 vira uma conferência de quatro números. Comece hoje separando o seu faturamento do último mês por meio de pagamento e por prazo.