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Demand Intelligence 10 min de leitura

A compra por IA ainda não decolou: onde investir agora

As previsões falam em trilhões até 2030. Mas hoje quase ninguém compra assim. Vale mais organizar os dados do seu catálogo do que apostar tudo nessa promessa.

AC

Alexandre Caramaschi

Founder da Brasil GEO, ex-CMO da Semantix (Nasdaq), cofundador da AI Brasil

Atualizado em 08 de junho de 2026

Este guia explica se vale a pena apostar hoje na compra feita por assistentes de IA (o chamado agentic commerce). A resposta tem duas partes. A tendência é real, mas a compra de verdade ainda não decolou. Você vai ver onde os números concordam e onde investir o seu dinheiro com segurança.

Pense numa ótica que lê essas notícias e sente vontade de correr atrás. As previsões de consultorias falam em trilhões de dólares até 2030. Mas nem a própria OpenAI aposta mais tudo nisso. Ela recuou do plano de deixar o cliente fechar a compra direto dentro do chat. Passou a mandar o cliente de volta para o site da loja. A direção está certa. O prazo que essas previsões vendem está errado.

Projeção e medição lado a lado

US$300 a 500 biAgentic commerce nos Estados Unidos até 2030Bain
US$5 triProjeção global até 2030McKinsey
US$15 triProjeção em B2B até 2028Gartner
menos de 0,2%Sessões de e-commerce vindas de referências do ChatGPT hojecasas de analytics

As projeções são confiáveis ou são marketing de consultoria?

São honestas, mas quase inúteis para planejar o seu orçamento, porque cada uma mede uma coisa diferente. Veja lado a lado:

Projeção (o hype)Realidade medida (a fricção)
Bain: US$300 a 500 bilhões nos EUA até 2030 (15 a 25% do e-commerce)Menos de 0,2% das sessões de e-commerce vêm de referências do ChatGPT
Morgan Stanley: US$190 a 385 bilhões até 2030Referências do ChatGPT convertem ~86% pior que links de afiliados (Kaiser and Schulze)
McKinsey: US$5 trilhões globais até 2030OpenAI passou a priorizar descoberta com checkout do merchant, em vez de Instant Checkout standalone
Gartner: US$15 trilhões em B2B até 2028 (90% das compras B2B por agentes)Forrester: adoção pelo consumidor permanece baixa e estagnada
Juniper: US$1,5 trilhão até 2030Juniper: confiança é a barreira número 1
Coherent: US$9,87 bilhões em 2026 → US$114,89 bilhões até 2033eMarketer: vendas via plataformas de IA chegam a >US$144 bilhões até 2029 (8,8% do e-commerce)

Uma mesma consultoria, a Juniper, aparece nos dois lados da tabela. Ela projeta US$1,5 trilhão até 2030 e, ao mesmo tempo, aponta a confiança como o maior obstáculo. Isso é a diferença entre o que pode acontecer se essa barreira cair e o que está acontecendo enquanto ela não cai. Cada consultoria mede um recorte diferente de mercado e de prazo. Uma delas, mais comedida, projeta o mercado atual bem abaixo dos trilhões prometidos para 2030. Esse contraste já deveria bastar. Não use nenhum desses números no orçamento deste ano.

Agentic commerce: projeção e medida

Hype (projeção)
Bain: US$ 300 a 500 bi nos EUA até 2030McKinsey fala em US$ 5 trilhões globais; Gartner em US$ 15 tri B2B até 2028
Adobe: +805% de tráfego de IA na Black Friday 202523% dos americanos compraram via IA no último mês (Morgan Stanley)
Menos de 0,2% das sessões vêm de referências do ChatGPTCoherent dimensiona o mercado em US$ 9,87 bi em 2026, três ordens abaixo dos trilhões
Referências do ChatGPT convertem ~86% pior que afiliadosForrester vê adoção do consumidor baixa e estagnada; confiança é a barreira nº 1 (Juniper)
Fricção (medido)Tamanho do mercadoComportamento do consumidor
Fonte: Bain, McKinsey, Gartner, Adobe, Morgan Stanley, Coherent, Forrester, Juniper, Kaiser and Schulze

O que a adoção real está dizendo que o hype não diz?

Está dizendo que o problema é a confiança, porque a tecnologia já existe. O cliente não deixa um assistente de IA decidir uma compra de preço alto, de gosto pessoal ou de risco. Uma pesquisa da Forrester mostra que essa adoção está parada, não crescendo aos poucos. E a conversão conta a história mais dura: quem chega pela IA olha mais e compra bem menos.

A compra por IA não esbarra numa limitação do programa. Esbarra numa pergunta humana antiga: por que eu deixaria uma máquina gastar meu dinheiro numa decisão que eu mesmo ainda não confio em delegar?

Onde a confiança pesa menos, a compra por IA já aparece. As categorias que lideram são comida e produtos do dia a dia: compras repetidas, de valor baixo e risco baixo. Faz sentido. O cliente entrega à máquina a tarefa chata, como repor o que sempre compra, e guarda para si a decisão que importa. Um plano que ignore essa diferença vai superestimar o quanto dá para vender por IA agora.

O que o consumidor delega ou retém

Retém a decisão

  • Compra de preço alto
  • Gosto pessoal em jogo
  • Risco percebido na escolha

Delega o tédio

  • Alimentos e bens de consumo de giro
  • Compras repetitivas de baixo valor
  • Repor o que sempre compra

Então dá para ignorar essa onda de vez? Não exatamente

Seria preguiçoso descartar tudo como exagero, porque os sinais reais existem. A Adobe mediu um salto de 805% no tráfego vindo de IA na Black Friday de 2025. A Morgan Stanley aponta algo parecido: 23% dos americanos já compraram assim no último mês. A Salesforce registra que 39% dos consumidores já usam IA para procurar produto. Entre os mais jovens, esse número passa de metade. Nada disso é ruído.

A leitura certa separa duas etapas que costumam ser confundidas. A primeira é o cliente usando IA para procurar produto: essa já é grande e cresce rápido. A segunda é o cliente fechando a compra direto pela IA: essa ainda é pequena e converte mal. O erro caro é investir como se as duas já tivessem o mesmo tamanho. O acerto é entender que a primeira etapa já justifica organizar a casa, mesmo que a segunda demore para chegar.

Duas etapas que o hype funde numa só

Descoberta por IAJá massiva e crescente: é aí que moram o tráfego de 805% medido pela Adobe e os 39% de descoberta da Salesforce.
Transação por IAAinda marginal e mal convertida: é aí que vivem o 0,2% das sessões e o recuo do Instant Checkout standalone.

Onde colocar o dinheiro sem queimar caixa?

Na base que paga duas vezes. Organize os dados do produto, mantenha um catálogo que a máquina consegue ler e trabalhe o GEO (Generative Engine Optimization). GEO é fazer o ChatGPT e o Google citarem o seu negócio na resposta. Isso melhora o resultado no Google e nas vendas humanas hoje. O mesmo trabalho deixa a marca pronta para quando a compra por IA crescer de verdade. É um investimento que já compensa agora e ainda garante um lugar no futuro.

A fundação que paga duas vezes

  1. 1
    GEO de entidadeA marca legível como entidade para mecanismos e agentes.
  2. 2
    Dados estruturados (structured data)Marcação que mecanismos tradicionais também premiam.
  3. 3
    Catálogo legível por máquinaMachine-readable, pronto para o agente no dia em que a transação amadurecer.
  4. 4
    Dados de produto estruturadosA base que melhora SEO e conversão humana hoje.

Compare com a alternativa apressada: montar agora um sistema de compra direto pela IA, só para “não ficar de fora”. O próprio produto mais famoso dessa ideia recuou e voltou a mandar o cliente para o site da loja. A conversão por IA é 86% pior. A adoção está parada. Gastar dinheiro nisso agora é pagar por um comportamento de compra que ainda não existe em escala. Quando existir, vai exigir a mesma base de dados que você já poderia ter organizado enquanto ela rendia em vendas humanas.

A disciplina é dupla. Primeiro, recusar a pressa de tratar uma previsão de 2030 como se fosse meta deste ano. Segundo, recusar a ideia de que é tudo exagero, porque o tráfego de busca por IA já é real. O dono de loja maduro organiza os dados do produto e mede o que controla: se a loja aparece e é citada nas respostas de IA. Ele acompanha a venda direta por IA como um número a observar, não como uma meta a perseguir agora.

Categoria endereçável para o agêntico

  • SeCompra repetitiva, de baixo valor e baixo risco (alimentos, bens de giro)
    entãoO consumidor delega o tédio: categoria já endereçável hoje
  • SeCompra de preço alto, gosto pessoal ou risco percebido
    entãoO consumidor retém a decisão: mercado superestimado no curto prazo
  • SeEm dúvida sobre o cronograma do hype
    entãoInvestir em fundação (agent-readiness) paga em SEO e conversão humana hoje

Como saber se estou no caminho certo daqui a um ano?

Pelos números que você acompanha. Se a sua meta é vender pelo assistente de IA já no próximo trimestre, você comprou a promessa. Vai se frustrar, porque a venda ainda não está lá. Se você acompanha a qualidade do seu catálogo e quantas vezes a loja aparece nas respostas de IA, você investiu na base certa. Esses números sobem por mérito próprio, não importa quando a compra por IA decolar de verdade.

Planilha do hype, planilha da fundação

Comprou o hype

  • Meta de vendas via agente para o próximo trimestre
  • A conversão ainda está fraca
  • Frustra o board

Comprou a fundação

  • Qualidade do catálogo legível por máquina
  • Cobertura de dados estruturados
  • Share de citação nas respostas generativas

O futuro da compra por IA é real. O presente pede desconfiança prática. Quem investe só na previsão gasta dinheiro financiando um comportamento que o cliente ainda não tem. Quem investe em organizar os dados do produto ganha hoje e fica pronto para amanhã. Os dois veem o mesmo futuro. A diferença é saber que ainda não chegamos lá.

Perguntas frequentes

As duas coisas, em momentos diferentes. A tendência é real, e as próprias plataformas investem nela. Mas o presente é pequeno: menos de 0,2% das visitas a lojas vêm do ChatGPT hoje, e essas visitas compram bem menos que uma indicação comum. Tratar a previsão de 2030 como se fosse a venda de 2026 é como contar com um dinheiro que ainda não chegou.

Porque cada consultoria mede uma coisa diferente. Uma projeta centenas de bilhões de dólares, outra projeta trilhões, e cada uma usa um recorte de mercado e um prazo diferente. São apostas sobre o futuro, não uma medida do presente. Servem para pensar direção, e são perigosas como base de orçamento.

Vale, desde que o investimento pague hoje. Organizar os dados do produto e o catálogo melhora o resultado no Google e as vendas normais agora. Isso ainda deixa a marca pronta para quando a IA crescer. O que não vale é gastar dinheiro num sistema de compra direto pela IA que ainda não converte.

Comida e produtos do dia a dia: compras repetidas, de valor baixo e risco baixo. Faz sentido. O cliente entrega à IA o que já decidiu, como repor o que sempre compra, e segura na mão o que envolve preço alto, gosto ou risco. A barreira de confiança cai onde a decisão é simples e sobe onde ela importa.

Separe os números da base dos números de venda. Acompanhe se a loja aparece e é citada nas respostas de IA, e a qualidade do seu catálogo, porque isso você controla e melhora hoje. Trate a venda direta por IA como um número a observar, não como meta de curto prazo, enquanto a conversão dessas visitas permanecer fraca.

Para levar deste guia

  1. As previsões vão de US$190 bilhões (Morgan Stanley) a US$5 trilhões globais (McKinsey) até 2030. Elas medem coisas diferentes e não são a mesma aposta. Tratá-las como iguais pode bagunçar o seu orçamento.

  2. Menos de 0,2% das visitas a lojas on-line vêm do ChatGPT hoje. Essas visitas compram cerca de 86% menos que uma indicação comum (Kaiser and Schulze).

  3. A própria OpenAI recuou do plano de deixar o cliente comprar direto dentro do chat. A confiança é a barreira número 1 segundo a consultoria Juniper, e a adoção real ainda está parada.

  4. Já existem sinais reais. A Adobe mediu um salto de 805% no tráfego vindo de IA na Black Friday de 2025. 23% dos americanos já compraram assim no último mês (Morgan Stanley).

  5. A decisão mais segura é investir na base: dados do produto organizados e um catálogo que a máquina consegue ler. Isso já ajuda a aparecer no Google hoje e prepara a loja para quando a compra por IA crescer de verdade.

De onde vêm os números deste guia?

Cada link abre a publicação de origem, com o nome de quem assina o dado e a data em que ele saiu.

Formações gratuitas do portal de educação de Alexandre Caramaschi, fundador da Brasil GEO.

Leve a decisão para o seu contexto

Este guia dá o mapa; a sua operação dá os números. As calculadoras do portal transformam o argumento em conta feita com os seus dados. A Onclick mostra como um backoffice integrado sustenta a decisão no dia a dia.

Conteúdo curado por Alexandre Caramaschi, Founder da Brasil GEO, ex-CMO da Semantix (Nasdaq) e cofundador da AI Brasil. Parte do portal GEO-Ecommerce, a serviço da operação Onclick.