Guia B2A: compra por agentes com autorização e confirmação
Um fluxo Business-to-Agent (B2A) precisa separar a intenção de compra da autorização para executar. O agente pode preparar opções e cotação, mas a operação deve conferir item, quantidade, destino, valor total, validade e permissão antes de confirmar um pedido. Esse contrato operacional define o ponto de partida do trabalho. Previsões de adoção do mercado não dispensam a validação de cada etapa.
Defina o que o agente pode fazer
“Compre um monitor para mim” deixa decisões importantes em aberto. A pessoa aceita uma marca diferente? O teto inclui frete? Qual variante atende ao equipamento existente? Pode haver entrega parcial? A autorização deve cobrir essas condições ou o fluxo deve pedir esclarecimento.
Comece distinguindo consulta de catálogo, preparação de carrinho e confirmação de compra. Cada ação tem escopo e consequências diferentes. Expor uma ferramenta de consulta não exige liberar pagamentos. Em uma integração real, o sistema de comércio deve aplicar limites de gasto e demais regras por controles verificáveis. Uma instrução em linguagem natural é insuficiente para impor essas restrições.
Contrato operacional para um pedido
| Parte do contrato | O que registrar | O que fazer se mudar |
|---|---|---|
| Identidade da oferta | Vendedor, SKU, variante, quantidade e condição do item. | Revalidar e pedir confirmação quando a substituição não estiver autorizada. |
| Preço e entrega | Moeda, itens, descontos, frete, tributos aplicáveis, total e destino. | Atualizar a cotação e verificar se a autorização continua válida. |
| Validade | Momento da consulta e expiração definida pelo sistema. | Consultar novamente antes de tentar concluir. |
| Permissão | Quem autorizou, qual resumo foi aprovado e limites da ação. | Suspender a execução se a permissão não cobrir o novo estado. |
| Resultado | Pedido, status da operação e identificador da tentativa. | Consultar o estado existente antes de repetir uma operação incerta. |
| Pós-venda | Rastreamento, atendimento e regras vigentes da oferta. | Encaminhar a solicitação ao processo responsável. |
Exemplo de resumo a confirmar
O JSON abaixo é um modelo didático interno. Para integrar ACP ou UCP, consulte o payload oficial da especificação escolhida. Ele usa centavos para tornar explícita a unidade monetária. O valor total de R$ 848,00 inclui R$ 829,00 do produto e R$ 19,00 de frete. As datas, o vendedor e o pedido são fictícios.
{
"cotacao_id": "cotacao-teste-001",
"vendedor": "Loja Exemplo",
"item": {"sku": "MON-27-C65", "variante": "preto", "quantidade": 1},
"moeda": "BRL",
"produto_centavos": 82900,
"frete_centavos": 1900,
"total_centavos": 84800,
"limite_autorizavel_centavos": 90000,
"destino_ref": "endereco-teste-01",
"expira_em": "2026-10-06T15:00:00-03:00",
"substituicao_permitida": false,
"compra_autorizada": false,
"status": "aguardando_confirmacao"
}
O usuário deve ver um resumo compreensível antes da confirmação, incluindo condições que alterem sua decisão. Estar abaixo de um teto não significa que uma compra foi autorizada. O sistema também não deve transformar compra_autorizada em verdadeiro apenas porque o modelo gerou esse campo: a autorização precisa vir do fluxo confiável de identidade e aprovação.
MCP, ACP e UCP têm escopos diferentes
O Model Context Protocol (MCP) conecta aplicações de IA a ferramentas e fontes de dados. Ele pode participar de uma consulta ao catálogo, mas não define sozinho todas as regras de uma compra, a autorização de pagamento ou a elegibilidade de um comerciante.
O Agentic Commerce Protocol (ACP), apresentado por Stripe e OpenAI, trata da interação programática de comércio entre compradores, agentes e empresas. O Universal Commerce Protocol (UCP) organiza capacidades de comércio e sua integração entre participantes. São especificações com contratos próprios; implementar uma não torna um sistema automaticamente compatível com todas as outras.
A integração de um produto pode implementar apenas parte dessas capacidades. No Google, a Cart API trata da montagem e transferência de carrinho e é distinta do checkout com pagamento. Consulte versão, capacidades suportadas e requisitos do parceiro. Acesso a um protocolo público não comprova disponibilidade na conta, no país ou na categoria desejada.
Guia de implementação em ambiente de teste
- Escolha um caso restrito: um vendedor, uma categoria e uma operação. Comece com catálogo e cotação sem cobrança real.
- Desenhe os estados: rascunho, cotação válida, aguardando confirmação, em processamento, confirmado, falhou e resultado incerto. Cada transição precisa de uma condição verificável.
- Separe responsabilidades: catálogo fornece atributos; comércio calcula a oferta; identidade verifica permissão; pagamento e pedidos registram seus próprios resultados.
- Implemente revalidação: confira preço, estoque, validade e autorização no momento previsto pelo contrato antes de concluir. Se algo relevante mudou, apresente novo resumo.
- Trate repetição: use o mecanismo de idempotência ou prevenção de duplicidade da integração. Quando houver timeout após uma tentativa, consulte o estado antes de criar outro pedido.
- Teste atendimento e saída: confirme como uma pessoa identifica o pedido e assume um caso que a automação não resolve.
Quatro falhas que o piloto precisa demonstrar
Cotação expirada: a execução é interrompida e uma nova cotação é solicitada. Estoque insuficiente: a alternativa não é comprada sem autorização compatível. Preço acima do limite: a operação não prossegue silenciosamente. Resposta perdida após o envio: o estado do pedido é reconciliado sem duplicar a compra.
Critério de aceite: cada teste conserva o resumo apresentado, a decisão de autorização, o estado final e a justificativa de bloqueio quando houver. Uma nova tentativa não cria um segundo pedido para a mesma ação já confirmada. Para entrar em produção, ainda é preciso validar a integração real, as permissões e os processos da empresa; passar no exemplo didático não habilita um canal comercial.
Quem acompanha a operação
Nomeie responsáveis por catálogo, integração, atendimento e orçamento. Meça confirmações, falhas, pedidos duplicados, divergências de oferta, tempo de resolução e custo por operação concluída. Não registre credenciais de pagamento no histórico de conversa; preserve referências e eventos necessários à conciliação conforme a política de retenção da operação.
O curso MCP para quem decide, de Alexandre Caramaschi, ajuda a avaliar integrações e responsabilidades. O curso Agentes de IA Autônomos: do conceito à produção complementa o desenho de ações, limites e supervisão.
Perguntas frequentes
MCP é um protocolo de pagamento?
Não. MCP conecta aplicações de IA a ferramentas e dados. Uma ferramenta pode participar de um fluxo comercial, mas pagamento, autorização e regras de pedido dependem da integração e dos sistemas responsáveis.
Um agente pode comprar só porque o valor está abaixo do teto?
Não necessariamente. O teto cobre apenas o valor. A autorização também precisa abranger item, quantidade, vendedor, destino e outras condições.
O que fazer quando a confirmação do pedido não chega?
Trate o resultado como incerto e consulte o estado da tentativa no sistema responsável antes de repetir. A integração precisa prevenir pedidos duplicados e permitir conciliação.