Pular para o conteúdo
Frontend do e-commerce

Quanto do seu preço já é anúncio dentro do marketplace?

Atualizado em 29 de agosto de 2026

O IAB Brasil e a Kantar Ibope Media mediram R$ 4,8 bilhões investidos em retail media digital no Brasil em 2025, alta de 37% sobre 2024, dentro de um mercado de R$ 42,7 bilhões de publicidade digital. A eMarketer projeta para 2026 que esse formato responda por 16,3% do investimento digital do país e que o Mercado Livre concentre 69,1% da verba. O retorno que a plataforma mostra costuma ser maior do que o que entra no caixa: testes independentes reunidos pela MediaPath em julho de 2026 reconstroem resultados de 30% a 60% abaixo do reportado por último clique.
Retail media digital no Brasil em 2025R$ 4,8 bi, +37% (IAB Brasil e Kantar Ibope)
Fatia do investimento digital em 202616,3% projetados (eMarketer via Valor)
Concentração no maior player em 202669,1% da verba projetada (eMarketer via Valor)
Retorno testado contra retorno reportado, jul/202630% a 60% menor (The Trade Desk via MediaPath)

Se você vende em marketplace e vê o gasto com anúncio subir todo trimestre, esta página explica de onde vem essa conta e como decidir o que continua patrocinado em 2027. O caso condutor é o da Bom Giro Autopeças, duas lojas em Bauru e vendas no Mercado Livre e na Shopee, que descobriu ter 11% do faturamento do canal online indo para anúncio sem saber quais produtos pagavam a própria conta. Você termina sabendo o tamanho do mercado, quem concentra a verba, por que o retorno da plataforma é maior que o do caixa e qual teste cabe numa loja pequena.

O que é retail media e por que ele apareceu na sua fatura sem aviso?

Retail media é a publicidade vendida dentro do próprio ambiente de compra: o resultado patrocinado na busca do marketplace, o banner na vitrine, o destaque no aplicativo da loja. Ele apareceu porque a busca do marketplace é o lugar onde o cliente já decidiu comprar, e a posição nessa lista tem valor de esquina movimentada. Para quem vende, o efeito prático é que a primeira tela de resultado foi ficando ocupada por anúncio pago, e o clique virou custo de circulação.

A Visa mediu, no Panorama E-Commerce divulgado em abril de 2026, que 71% das vendas online brasileiras acontecem em marketplaces, contra 20% em sites próprios e 8% em redes sociais. É essa concentração de tráfego que sustenta o inventário de anúncio: o dono da vitrine revende a atenção que já pagou para atrair.

O tamanho da conta do anúncio dentro da loja

R$ 4,8 biinvestidos em retail media digital no Brasil em 2025IAB Brasil e Kantar Ibope, 29/04/2026
+37%de crescimento sobre os R$ 3,5 bilhões de 2024IAB Brasil e Kantar Ibope, 29/04/2026
16,3%fatia projetada do investimento digital brasileiro em 2026eMarketer via Valor International, 12/08/2026
69,1%concentração projetada da verba no maior player em 2026eMarketer via Valor International, 12/08/2026
Fonte: IAB Brasil e Kantar Ibope Media, Digital Adspend 2026, e eMarketer via Valor International

Quanto o Brasil gasta com isso, e por que R$ 4,8 bilhões cabem na sua planilha?

O IAB Brasil e a Kantar Ibope Media mediram, no Digital Adspend divulgado em 29 de abril de 2026, R$ 4,8 bilhões investidos em retail media digital no país em 2025, alta de 37% sobre os R$ 3,5 bilhões de 2024 e mais que o dobro dos R$ 2,1 bilhões de 2023. O total de publicidade digital brasileira no mesmo ano ficou em R$ 42,7 bilhões, o que coloca cerca de um real em cada nove dentro da loja onde a compra acontece. O mesmo estudo projeta R$ 5,1 bilhões para 2026.

Esse número cabe na planilha do lojista porque sai do bolso de quem vende. A eMarketer, citada pelo Valor International em 12 de agosto de 2026, projeta que o formato chegue a 16,3% do investimento digital brasileiro em 2026, contra 2,3% em 2020, e a 22,2% em 2030. Para a Bom Giro a tradução é direta: a fatia do preço destinada a aparecer sobe todo ano, e o preço de venda acompanha ou a margem cede.

Retail media no Brasil, ano a ano, em R$ bilhões

2023 (medido): R$ 2,1 biR$ 2,1 bi12024 (medido): R$ 3,5 biR$ 3,5 bi22025 (medido): R$ 4,8 biR$ 4,8 bi32026 (projetado): R$ 5,1 biR$ 5,1 bi4
  1. 2023 (medido)R$ 2,1 bi
  2. 2024 (medido)R$ 3,5 bi
  3. 2025 (medido)R$ 4,8 bi
  4. 2026 (projetado)R$ 5,1 bi
Fonte: IAB Brasil e Kantar Ibope Media, Digital Adspend 2026, 29/04/2026

Se 69% da verba está em um só lugar, quantas escolhas você tem de verdade?

Poucas. A eMarketer projeta para 2026 que o Mercado Livre fique com 69,1% do investimento em retail media no Brasil e a Amazon com 12,7%, segundo o Valor International de 12 de agosto de 2026. Em tráfego a régua é outra e igualmente concentrada: a Similarweb, em levantamento do BTG publicado pelo O Globo em 2 de março de 2026, mediu 33,7% dos acessos de marketplace no Mercado Livre, 26,5% na Amazon, 22,3% na Shopee e 11,7% no Magalu em janeiro de 2026.

A receita de anúncio dessas redes cresce mais rápido que a venda de mercadoria. O MercadoLibre reportou alta de 73% em dólares na receita do Mercado Ads no segundo trimestre de 2026, e o Magazine Luiza informou crescimento de 54% a 55% na receita do Magalu Ads em 2025. Redes menores encontram nicho pela frequência de compra, como a Panvel, que reportou alta de 79% na sua operação de anúncio no segundo trimestre de 2026.

Quem fica com a verba de retail media no Brasil em 2026

do investimento projetado vai para o Mercado Livre; a Amazon fica com 12,7% e as demais redes somam 18,2%: 69,1% 69,1%
do investimento projetado vai para o Mercado Livre; a Amazon fica com 12,7% e as demais redes somam 18,2%Projeção para 2026, publicada em agosto de 2026.
Fonte: eMarketer, via Valor International, 12/08/2026

Por que o retorno que a plataforma mostra é maior que o que entra no caixa?

Porque a plataforma conta como vitória a venda que aconteceria de qualquer jeito. O modelo padrão de atribuição é o último clique, que credita ao anúncio toda compra feita depois dele. Testes independentes de incrementalidade reunidos pela MediaPath em 13 de julho de 2026, a partir de material da The Trade Desk, reconstroem retornos de 30% a 60% abaixo do que as redes reportam por esse critério. Incrementalidade é a parcela da venda que só existiu por causa do anúncio.

O mercado conhece o problema e ainda trabalha sem régua comum. A pesquisa da MMA divulgada em maio de 2026 aponta 43% dos profissionais elegendo a falta de métricas padronizadas como problema principal e 37% citando a dificuldade de comparar plataformas. O IAB publicou em janeiro de 2024 diretrizes de medição de retail media para uniformizar impressão, clique, atribuição e janela de conversão.

Por que o marketplace tem tanto incentivo para vender mais espaço?

Porque mídia rende muito mais que mercadoria. O levantamento do TheAdSpend de 24 de março de 2026 mede margem de 70% a 90% no anúncio exibido no próprio site ou aplicativo do varejista, chamado de onsite, e de 20% a 40% quando o varejista leva seus dados para inventário de terceiros, o offsite. A margem da operação de mercadoria no varejo fica entre 5% e 10%. A McKinsey estimou margem operacional de 50% a 70% para redes maduras.

Um varejista com essa conta na mesa tem motivo permanente para ampliar o espaço patrocinado na tela, e a disputa por posição orgânica piora ano a ano para quem vende. A WARC projetou em 19 de agosto de 2026 um investimento mundial de US$ 223,4 bilhões em retail media em 2027, alta de 11,5%, o menor ritmo da série, com crescimento de apenas 9,8% quando se exclui a Amazon.

Onde nasce a margem: mercadoria ou mídia

Vender mercadoria

  • Margem da operação de varejo entre 5% e 10%
  • Depende de estoque parado, frete e devolução
  • Cada real de venda exige um produto comprado antes

Vender espaço de anúncio

  • Margem de 70% a 90% no inventário do próprio site ou app
  • Margem de 20% a 40% quando o inventário é de terceiros
  • Redes maduras operam com 50% a 70% de margem operacional
Fonte: TheAdSpend, 24/03/2026, e McKinsey, Retail media networks

Como a Bom Giro descobriu quais anúncios pagavam a própria conta?

Desligando anúncio de propósito. A loja separou 20 itens comparáveis de filtro e pastilha de freio em dois grupos parecidos em giro e em preço, desligou a campanha de um dos grupos por 14 dias e comparou a venda total dos dois, sem olhar a venda atribuída pela plataforma. Sete itens venderam praticamente o mesmo com e sem anúncio, e a verba deles saiu no mês seguinte.

Depois veio a conta de margem. Para cada item que sobrou, a Bom Giro subtraiu do preço a comissão do canal, o frete, o imposto e o custo do produto, e só então dividiu o que restava pelo gasto de clique medido no período. A leitura mudou o ranking: o produto de maior faturamento no canal ficou em quinto lugar em margem incremental, e dois itens de giro médio pagavam a conta inteira da campanha.

O desconto da realidade no retorno anunciado

  • Retorno reportado pela rede100
    atribuição por último clique
  • Reconstruído por teste, teto70
  • Reconstruído por teste, piso40
    a diferença é a venda que aconteceria sem o anúncio
Fonte: The Trade Desk, The Current, via MediaPath, 13/07/2026

O que precisa estar certo no sistema antes de subir a próxima campanha?

Estoque, ficha de produto e conciliação por canal.

Usar base própria de cliente para segmentar campanha é tratamento de dado pessoal, com consentimento e finalidade registrados. A Lei 13.709 prevê no artigo 52 multa de até 2% do faturamento, limitada a R$ 50 milhões por infração.

Vale patrocinar este produto no próximo mês

  • SeA cobertura de estoque cobre menos de 30 dias
    entãoSegure a campanha até repor
  • SeA margem bruta cobre a comissão do canal e o frete
    entãoSiga para o teste de desligamento
  • SeA venda cai quando o anúncio sai do ar por 14 dias
    entãoMantenha a verba e reveja o lance
  • SeA venda fica igual sem anúncio
    entãoRealoque a verba para outro item
Fonte: Critério montado sobre as diretrizes de medição do IAB, jan/2024, e os testes reunidos pela MediaPath, 13/07/2026

O que fazer com isso até 2027

A Bom Giro terminou o trimestre seguinte gastando 7% do faturamento do canal em anúncio, contra 11% no início, e vendendo praticamente o mesmo volume. Cinco decisões sustentam esse resultado em qualquer loja que dependa de marketplace.

  1. Traga a margem por item para dentro do sistema de gestão, com comissão, frete, imposto e custo do produto no mesmo cálculo.
  2. Lance o gasto de mídia como custo de venda na formação de preço, na mesma linha da comissão do canal.
  3. Rode teste de desligamento a cada trimestre, em grupos de itens comparáveis, comparando venda total em vez de venda atribuída.
  4. Bloqueie campanha de item com cobertura de estoque abaixo de 30 dias, por regra automática dentro do sistema, nunca por lembrete de agenda.
  5. Guarde o seu próprio registro de incrementalidade por trimestre, porque a régua comum de mercado segue em formação.

O anúncio dentro do marketplace saiu do orçamento de marketing e entrou na formação de preço. Quem conhece a margem de cada item decide com número na mão qual produto merece verba, e quem desconhece descobre pelo extrato no fim do mês.

Perguntas frequentes

Retail media é a mesma coisa que anunciar no Google ou no Instagram?

Não. O anúncio de retail media aparece dentro do ambiente de compra, na busca e na vitrine do marketplace, e usa o dado de compra do próprio varejista. A escala brasileira ainda é menor: R$ 4,8 bilhões em 2025, medidos pelo IAB Brasil e pela Kantar Ibope, dentro de R$ 42,7 bilhões de publicidade digital total no mesmo ano.

Quanto do meu faturamento em marketplace pode ir para anúncio?

Nenhuma entidade publica um percentual de referência para PME. A régua que funciona é a margem incremental por item: quanto sobra depois de comissão, frete, imposto e custo do produto, dividido pelo gasto de clique do período. A Bom Giro do exemplo saiu de 11% para 7% do faturamento do canal sem perder volume.

Quero entender por que o ROAS da plataforma não bate com o meu caixa

O ROAS divide receita atribuída por gasto e usa o último clique, então ele credita ao anúncio vendas que aconteceriam mesmo sem ele. Testes independentes reunidos pela MediaPath em 13 de julho de 2026 reconstroem retornos de 30% a 60% menores. O ROAS também mede receita, e a decisão de verba precisa de margem.

Vale a pena anunciar fora do Mercado Livre?

Depende da categoria e da frequência de compra do seu cliente. A eMarketer projeta 69,1% da verba brasileira no Mercado Livre em 2026 e 12,7% na Amazon, o que deixa 18,2% divididos entre as demais. Redes de nicho crescem forte, como a Panvel, que reportou alta de 79% na sua operação de anúncio no segundo trimestre de 2026.

Como faço um teste de incrementalidade sem ferramenta cara?

Separe 20 itens comparáveis em dois grupos, desligue a campanha de um deles por 14 dias e compare a venda total, sem usar a venda atribuída pela plataforma. Desconte comissão, frete, imposto e custo do produto antes de concluir. Esse desenho segue a lógica das diretrizes de medição publicadas pelo IAB em janeiro de 2024.

Fontes. IAB Brasil e Kantar Ibope Media, Pesquisa Digital AdSpend 2026, 29/04/2026; Exame, Publicidade digital no Brasil cresce 12,7% e atinge R$ 42,7 bi em 2025, diz IAB Brasil, 29/04/2026; Valor International, Retail media enters new phase but lacks common standards, 12/08/2026; eMarketer, Retail media ad spending share in Brazil by company, 2024-2028, 2026; WARC, The Future of Commerce Media 2026, via The Desk, 19/08/2026; MediaPath, Retail media 2026, com os testes de incrementalidade da The Trade Desk, 13/07/2026; TheAdSpend, Retail Media's Fifth Straight Year on Top, margens onsite e offsite, 24/03/2026; MercadoLibre, resultados do segundo trimestre de 2026, receita de Mercado Ads, 2026; Magazine Luiza, relações com investidores, desempenho do Magalu Ads em 2025, 2026; eMarketer, Retail media ad spending forecast H1 2026, 2026; ABIACOM via Central do Varejo, E-commerce deve faturar R$ 259,8 bilhões em 2026, 16/02/2026