Esta página mostra quem está crescendo no e-commerce brasileiro e o que esse crescimento exige da retaguarda. Serve para quem vende online e quer saber se o problema que sente é dele sozinho ou do mercado inteiro. O dado de 2025 desloca o centro dessa conversa: o motor virou o pequeno vendedor.
Quanto cresceu o pequeno vendedor, e segundo quem
A quarta edição do Mapa da Logística é um levantamento da Loggi sobre mais de cinco mil municípios e vinte e dois mil empresas. Nele, os pequenos negócios aparecem como o perfil de maior crescimento do período, com 77% de alta.
A cobertura da Varejo S.A. e da CNDL sobre o mesmo estudo acrescenta o ticket médio, ou seja, quanto cada cliente gasta em média por compra. O valor médio por pedido das PMEs (empresas pequenas e médias, como a sua) chegou a duzentos e quinze reais. Esse valor é vinte por cento acima das grandes marcas e quarenta e três por cento acima dos marketplaces.
O que a fatia do Simples Nacional confirma
A FecomercioSP mede o mesmo movimento por outro ângulo. A participação de empresas do Simples Nacional (regime tributário simplificado para pequenos negócios) no comércio digital saiu de 3,6% para 34%. Isso aconteceu entre 2016 e 2025, quase dez vezes mais em uma década.
Crescimento por categoria em 2025
- Óticas126%
- Farmácias101%
- Móveis e decoração83%
- Itens de livraria71%
- Eletrônicos e informática56%
A conta que chega junto com o crescimento
Pense numa loja de roupa que vendia só na loja física e passou a vender pela internet. Ao crescer rápido, como boa parte dos pequenos negócios em 2025, ela passa a lidar com catálogo maior, mais canais e mais devolução ao mesmo tempo.
As dores que só apareciam em operação grande chegam antes da equipe que saberia tratá-las.
Por que a entrega ficou mais complexa
A malha de entrega acompanha essa mudança. A coleta ainda responde por sessenta e sete por cento das operações, e os pontos de recebimento já ficam com trinta e três por cento. Cada ponto de recebimento é uma janela, um contrato e um evento de rastreio a mais para controlar.
Que categorias cobram mais do catálogo
As categorias que mais avançaram reforçam essa exigência sobre o dado de produto. Óticas cresceram 126%, farmácias 101% e móveis e decoração 83%.
Prescrição, medida, prazo de montagem e composição do produto precisam existir de forma organizada na base de dados. Sem isso, a venda não se sustenta depois do clique.
O que fazer com isso, do lado de quem vende e de quem fornece
Para quem vende, a leitura prática é escolher qual complexidade aceitar primeiro. Abrir um canal novo sem estoque único e sem promessa de entrega confiável costuma custar mais em cancelamento do que rende em pedido novo.
Para quem fornece tecnologia ao varejo, o recado é sobre o porte do cliente típico. O comprador de sistema de gestão deixou de ser só a rede grande e consolidada, e passou a incluir a loja pequena que cresce rápido.
Essa loja pequena precisa de fiscal, integração e conciliação desde o primeiro mês, do mesmo jeito que a grande.
No fim, quem está crescendo é o pequeno vendedor. Ele herda a complexidade de quem já era grande, sem herdar a equipe que a resolve. A loja de roupa do nosso exemplo faz bem em resolver isso antes de abrir o próximo canal, não depois.