Pular para o conteúdo
Frontend do e-commerce

Qual é o share do Mercado Livre, afinal

Atualizado em 29 de agosto de 2026

O Mercado Livre aparece com 47% do GMV (o valor total vendido no canal) do e-commerce brasileiro quando os vendedores estrangeiros ficam de fora. Com eles na conta, a fatia cai para 39% no mesmo ano. Na contagem de acessos aos seis maiores sites de varejo, em janeiro de 2026, essa fatia é de 33,7%. As três medidas respondem a perguntas diferentes.
Share de GMV sem cross-border, BTG Pactual e Neotrust, 202547%
Share de GMV com cross-border, BTG Pactual e Neotrust, 202539%
Share de acessos, Similarweb via BTG Pactual, janeiro de 202633,7%
Marketplaces no comércio digital brasileiro71% das vendas, Visa, abril de 2026

Esta página explica por que a mesma empresa aparece com participações de mercado diferentes, dependendo de quem mede. Serve para quem monta orçamento de canal de venda. Ao final, você sabe qual número usar para cada decisão.

O share muda conforme quem pergunta

Pense no dono de uma papelaria que está decidindo quanto investir em cada canal de venda. Numa reunião, alguém cita a participação do Mercado Livre no mercado. A mesa decide o orçamento com base nesse número sozinho, sem o total que serviu de base. O plano que sai dali nasce torto.

Três valores corretos para o mesmo share

A participação do Mercado Livre, ou share, é a fatia que uma empresa tem de um mercado. Em 2025 ela vale 47%, 39% ou 42%, dependendo do instituto e do recorte usado.

Pelo BTG Pactual com dados Neotrust, a empresa fecharia 2025 com 47% do GMV do e-commerce brasileiro, excluindo os operadores cross-border. Cross-border são vendedores estrangeiros que despacham direto para o Brasil. Quando Shopee, Shein, Temu e TikTok Shop entram na mesma conta, a fatia cai para 39%.

O UBS BB aplica metodologia própria e chega a 42%, com R$ 185 bilhões de GMV num mercado de perto de R$ 450 bilhões.

Há ainda uma quarta régua, que mede outra coisa. A Similarweb registra 33,7% dos acessos aos seis maiores sites de e-commerce do país em janeiro de 2026, contra 32,3% em março do ano anterior. Acesso conta visita, uma etapa antes da venda, como mostra o tamanho total do mercado.

O mesmo líder em quatro réguas

GMV sem cross-border, BTG e Neotrust, 2025: 47%47%1GMV, UBS BB, 2025: 42%42%2GMV com cross-border, BTG e Neotrust, 2025: 39%39%3Acessos, Similarweb, janeiro de 2026: 33,7%33,7%4
  1. GMV sem cross-border, BTG e Neotrust, 202547%
  2. GMV, UBS BB, 202542%
  3. GMV com cross-border, BTG e Neotrust, 202539%
  4. Acessos, Similarweb, janeiro de 202633,7%
Fonte: BTG Pactual com dados Neotrust (9 de janeiro de 2026), UBS BB (19 de março de 2026) e Similarweb via BTG Pactual (2 de março de 2026). Denominadores diferentes, valores não somáveis.

O canal concentrou, e a conta do vendedor mudou junto

Os marketplaces responderam por 71% das vendas do comércio digital brasileiro, contra 20% dos sites próprios das lojas.

Entre março de 2025 e janeiro de 2026, a soma de Mercado Livre, Amazon e Shopee nos acessos aos principais sites do setor mudou de patamar. Ela subiu de 76,6% para 82,5%. No mesmo período, o grupo Magalu recuou de 13,9% para 11,7%.

Entre quem vende, a proporção de lojistas brasileiros em marketplaces passou de 4% em 2019 para mais de 26% no ano mais recente.

A malha que sustenta a vitrine

R$ 57 biInvestimento do Mercado Livre no Brasil previsto para 2026, com 42 centros de fulfillmentMercado Livre, via Carta de Logística, junho de 2026
250Centros logísticos da Amazon Brasil em 2026, após R$ 55 bilhões investidos no país em uma décadaAmazon, via Valor Econômico, 10 de abril de 2026
16Centros de distribuição da Shopee no Brasil, mais de 200 hubs de primeira e última milhaShopee, via Valor Econômico, 10 de abril de 2026
350 milVendedores plugados ao marketplace do Magalu em 2026Magalu, via Valor Econômico, 10 de abril de 2026
Fonte: Valor Econômico, Revista Logística, 10 de abril de 2026, e Carta de Logística, junho de 2026.

Quanto custa estar dentro da vitrine alheia

O preço do canal mudou duas vezes em pouco mais de um ano, sempre empurrando frete e taxa fixa para o vendedor.

A Shopee tornou obrigatório o programa de frete grátis. Agora cobra 20% mais R$ 4 por item de até R$ 79,99, contra a antiga opção de 14% mais R$ 4 fixos. Depois, a empresa trocou o percentual fixo por comissão escalonada por faixa e elevou a taxa fixa de cerca de cinco para cerca de sete reais por item.

O Mercado Livre também mexeu na régua: derrubou o piso do frete grátis de R$ 79 para R$ 19.

A malha do parceiro virou a promessa do vendedor

Prazo de entrega e custo de frete passaram a depender da infraestrutura que o próprio marketplace constrói.

O Mercado Livre anunciou R$ 57 bilhões de investimento no Brasil para o ano seguinte. O plano inclui 14 novos centros de fulfillment, armazém que separa e despacha o pedido, chegando a 42 no total. No quarto trimestre de 2025, a empresa entregou 75% dos pedidos em até 48 horas.

A Amazon Brasil soma 250 centros logísticos, e a Shopee tem 16 centros de distribuição no país.

Como citar share sem quebrar o orçamento

Todo número de participação viaja com quatro elementos colados: o valor, o total de referência, a instituição e a data.

Volte à papelaria do início. Um valor único responde a uma pergunta que quase nunca é a que a mesa está fazendo. Escolher a série certa para cada decisão custa só uma linha a mais no orçamento. GMV serve para receita, e acesso serve para disputa por atenção. Isso evita um ano de plano defendido com a régua errada.

Perguntas frequentes

Qual share do Mercado Livre devo usar num plano de canal?

Para dimensionar receita, fique numa série de GMV e diga qual: em 2025, são 47% sem os vendedores estrangeiros ou 39% com eles. Para dimensionar disputa por atenção e mídia, os 33,7% de acessos em janeiro de 2026 servem melhor. Ali o universo são apenas os seis maiores sites de varejo do país.

Por que a mesma cifra de participação aparece atribuída a duas empresas diferentes?

Porque medem coisas distintas. Em janeiro de 2026, um levantamento atribui 13,9% do tráfego dos principais sites de e-commerce ao grupo Magalu. Outro usa os mesmos 13,9% para a audiência do Mercado Livre, num universo bem mais amplo de sites de varejo. Quem copia a cifra sem o rótulo troca a empresa e o denominador de uma vez só.

Vender fora de marketplace ainda faz sentido para o lojista médio?

Faz sentido quando o site próprio é tratado como canal de margem e recompra, e a aquisição vem também de fora dele. Os marketplaces ficaram com 71% das vendas do comércio digital, contra 20% dos sites próprios das lojas. Entre os vendedores brasileiros, mais de 26% já estavam em marketplace no levantamento mais recente, contra 4% em 2019.

Fontes. BTG Pactual e Neotrust, share de GMV do e-commerce brasileiro em 2025, 9 de janeiro de 2026; Similarweb e BTG Pactual, acessos aos principais sites de e-commerce do Brasil, 2 de março de 2026; UBS BB, projeção do e-commerce brasileiro e participação por player, 19 de março de 2026; Valor Econômico, Revista Logística, força dos marketplaces no e-commerce, com dados de Visa, BigDataCorp, Mercado Livre, Amazon, Shopee e Magalu, 10 de abril de 2026; Carta de Logística, investimento do Mercado Livre no Brasil para 2026, junho de 2026; Actana ERP, mudanças de comissão e taxa fixa da Shopee em 2026, 18 de agosto de 2026. Curadoria Brasil GEO, Alexandre Caramaschi, 2026.