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Quanto vende o e-commerce brasileiro, e por que os números divergem

Atualizado em 29 de agosto de 2026

Para 2025 existem duas contas públicas do e-commerce brasileiro: R$ 235,5 bilhões pela ABIACOM e R$ 295,6 bilhões pela FecomercioSP. As duas estão corretas dentro do próprio recorte. A diferença de sessenta bilhões é metodológica, e por isso quem cita esse número precisa sempre dizer qual fonte usou.
ABIACOM, fechamento de 2025R$ 235,5 bi, alta de 15,3%
FecomercioSP, comércio digital 2025R$ 295,6 bi, o maior da série
ABIACOM, projeção 2026R$ 259,8 bi
IBGE, varejo em junho de 2026+0,5% no mês, +2,9% em doze meses

Esta página explica por que duas contas públicas do e-commerce brasileiro dão números diferentes para o mesmo ano, e qual usar. Serve para quem toma decisão de negócio com base em manchete de mercado. Ao final, você sabe escolher a fonte certa para o seu caso e citar sem errar.

Por que duas contas dão números tão diferentes

Toda vez que uma reportagem publica o tamanho do e-commerce brasileiro, dois leitores chegam a conclusões opostas com a mesma notícia na mão. A causa raramente é má-fé de quem mede: é a régua, ou seja, o recorte e o método usados para somar as vendas.

Uma dona de papelaria que decide a compra do ano com base nesse número precisa saber qual régua está por trás dele antes de confiar na tendência.

O que a ABIACOM está contando

A ABIACOM, associação que até recentemente se chamava ABComm, fechou 2025 em R$ 235,5 bilhões. O valor representa alta de 15,3% sobre 2024. A entidade também projetou R$ 259,8 bilhões para 2026, em anúncio de fevereiro.

2025 medido por duas instituições

ABIACOM: R$ 235,5 biR$ 235,5 bi1FecomercioSP: R$ 295,6 biR$ 295,6 bi2
  1. ABIACOMR$ 235,5 bi
  2. FecomercioSPR$ 295,6 bi
Fonte: ABIACOM (fevereiro de 2026) e FecomercioSP (agosto de 2026). Recortes metodológicos diferentes.

O que a FecomercioSP está contando

A FecomercioSP chegou a R$ 295,6 bilhões para o mesmo ano, num estudo próprio sobre o setor. O levantamento soma pesquisa direta a dados do Observatório do E-commerce e do IBGE. Por isso o recorte é mais largo que o da ABIACOM, e o percentual de crescimento também muda: 20% numa conta, 15,3% na outra.

A distância entre as duas contas passa de sessenta bilhões de reais, mais que o faturamento de uma rede regional inteira. Somar as duas não funciona: nenhuma das duas instituições sustenta esse total.

O que o IBGE mostra, e por que ele mede outra coisa

Há um terceiro termômetro, e ele é oficial: a Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE. Ela mede volume, ou seja, a quantidade vendida, sem o efeito do preço. Em junho de 2026, o varejo cresceu 0,5% sobre maio e 2,9% sobre o mesmo mês do ano anterior.

Valor e volume contam histórias diferentes

Faturamento em reais e volume de peças vendidas não são a mesma medida, e as duas podem apontar direções opostas no mesmo mês. O setor de vestuário, por exemplo, aparece com R$ 314,9 bilhões nominais em 2025 pelo IEMI.

No mesmo período, o recorte de tecidos, vestuário e calçados do IBGE mostrou queda de 1,7% em volume na comparação anual. As duas informações convivem sem contradição: o preço subiu mais do que a quantidade vendida.

Como citar um número de mercado sem errar

A regra é curta: nunca use um número de mercado sem dizer quem mediu, quando e qual foi o recorte. Quem publica preço, meta ou projeção de venda em cima de um número solto acaba defendendo uma conta que não é sua.

Para planejar a operação, escolha uma série e fique nela por vários períodos. A tendência dentro de uma mesma metodologia vale mais que o valor absoluto tirado de fontes misturadas.

O que muda para a sua compra do ano

Volte ao caso da papelaria. Se a dona planeja a compra de material escolar pela manchete de "recorde de 20%", ela pode superestimar a demanda.

Esse percentual é da FecomercioSP, não da ABIACOM, e nenhuma das duas fala do bairro dela. O caminho mais seguro é acompanhar uma única fonte, ano após ano, e ajustar o pedido pela própria venda do período anterior, não pelo total nacional.

A página abriu perguntando por que os números divergem. Divergem porque medem coisas diferentes, e a resposta certa depende de qual pergunta você está fazendo.

Perguntas frequentes

Qual número devo usar para o e-commerce brasileiro em 2025?

Depende do uso. Para comparação histórica dentro de uma série, escolha uma fonte e mantenha. Para citação pública, escreva o número com o nome do instituto ao lado, como em R$ 235,5 bilhões pela ABIACOM ou R$ 295,6 bilhões pela FecomercioSP.

A ABComm mudou de nome?

A projeção de 2026 é assinada pela ABIACOM, Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce, e o domínio abcomm.org redireciona para abiacom.org. Ao citar dado antigo, escreva as duas grafias para o leitor reconhecer a mesma entidade.

Fontes. ABIACOM, via Central do Varejo, 16 de fevereiro de 2026. FecomercioSP, Radiografia do Comércio Eletrônico de 2026, via Seu Dinheiro, 8 de agosto de 2026. IBGE, Pesquisa Mensal de Comércio, 13 de agosto de 2026. IEMI, 10 de dezembro de 2025. Curadoria Brasil GEO, Alexandre Caramaschi, 2026.