Esta página explica por que o saldo que aparece no site às vezes não existe na prateleira, e o que fazer para reduzir isso. Serve para quem vende online e já cancelou pedido por falta de produto. Ao final, você sabe onde a perda nasce e o que priorizar até 2027.
Por que o pedido confirmado não achou a peça no estoque
Pense numa ótica que vende óculos pela internet. Numa sexta-feira, às 18h40, um pedido entra no site, o sistema confirma o saldo e a cliente recebe o aviso de compra aprovada. Vinte minutos depois, o separador volta do corredor sem a armação.
O saldo existia na tela e faltava na prateleira, e essa distância nunca aparece com nome próprio no resultado do mês.
Quanto o varejo brasileiro ainda perde com prateleira vazia
O Índice de Ruptura da Neogrid fechou dezembro de 2025 em 11,4% do mix das lojas, alta de 0,2 ponto percentual sobre o mês anterior.
Na média do ano, o indicador marcou 12,28% em 2025, queda de 0,81 ponto percentual sobre os 13,09% do ano anterior. Mais de um item em cada dez falta justamente quando o cliente procura, e a ruptura cobra duas vezes: a venda que evapora e a promessa quebrada.
Ruptura em supermercados (Neogrid)
A régua da gôndola não alcança o estoque da loja online
O índice da Neogrid mede a gôndola do supermercado. O e-commerce brasileiro não tem indicador equivalente publicado com metodologia aberta, e cada loja mede a própria ruptura por critério interno.
O formato do pedido também mudou, e isso pressiona o estoque. No primeiro semestre de 2026, o e-commerce brasileiro somou 756,7 milhões de pedidos, alta de 34,8%. Cada compra teve 1,97 item em média, ante 2,25 no mesmo período do ano anterior.
Mais pedidos menores abrem mais janelas em que a plataforma vende o que o depósito já despachou. O overselling, vender o que na verdade já saiu do estoque, nasce nesse intervalo entre a baixa física e o saldo publicado em cada canal. O roteamento de pedidos por OMS ataca esse intervalo pelo lado da promessa.
Transporte: Brasil e média global
- Brasil com inteligência artificial no TMS43%
- Média global com inteligência artificial no TMS37%
- Brasil pronto para agentes autônomos até 203070%
- Média global pronta para agentes autônomos até 203062%
Onde a perda nasce dentro da operação
O setor supermercadista brasileiro registrou eficiência operacional de 98,18% em 2025, ou seja, perda média de 1,82%.
A composição diz mais que o total. Na mesma pesquisa, a quebra operacional caiu de 68% para 62% do conjunto das perdas, e o prazo de validade subiu de 37% para 41% dentro dessa fatia. Os erros de inventário respondem por 47% das ocorrências administrativas.
Validade vencida e erro de contagem são o mesmo problema: saldo que ninguém confere no ritmo do giro.
WMS e TMS saem do projeto e viram rotina
O mercado brasileiro de sistemas de gestão de armazém, o WMS, gerou US$ 195,8 milhões naquele ano. A previsão é chegar a US$ 635,7 milhões até 2030, crescendo cerca de 19,2% ao ano nesse intervalo.
No transporte, o Brasil está à frente da média global. 43% das empresas brasileiras já integram inteligência artificial ao sistema de transporte, o TMS, contra 37% no agregado internacional. A pesquisa ouviu 1.450 executivos ao todo, e 75 deles eram do Brasil.
O que preparar até 2027
A agenda cabe em três frentes: fonte única de saldo por SKU, cada variação de produto; reserva com prazo curto no pedido; e contagem cíclica dos itens de maior giro.
Com ruptura média de 12,28% e perda de 1,82% apurada no mesmo ano, cada ponto de acuracidade devolve receita já conquistada.
Volte à ótica da sexta-feira. Na semana seguinte, o pedido entra de novo, no mesmo horário. A diferença entre confirmar e cancelar mora no intervalo entre a baixa no depósito e o saldo que o site mostra, e esse intervalo é decisão de arquitetura.