Esta página explica por que a entrega e a devolução pesam tanto no custo do e-commerce brasileiro. Serve para quem vende online e sente a margem sumir depois do frete. Ao final, você sabe o que medir na própria operação para reduzir essa perda.
Por que a segunda pilha na doca decide a margem
Pense numa loja de moda e calçados de médio porte. Às seis da tarde, a doca de expedição tem duas pilhas. Uma é a do dia, conferida e esperando o carro da transportadora.
A outra é menor, silenciosa, feita de caixas que voltaram, e é ela que decide a margem do mês.
A última milha come metade da conta logística
O trecho final é o mais caro do percurso. A entrega de última milha no Brasil foi avaliada em USD 2,72 bilhões naquele ano. A estimativa é de USD 2,92 bilhões para o ano seguinte, com projeção de USD 3,92 bilhões para 2031.
Esse trecho responde por 40% a 50% dos custos logísticos totais na América do Sul, por causa da baixa densidade de paradas fora dos grandes centros. Em 2025, o e-commerce capturou 46,07% de toda a demanda brasileira de última milha.
A curva da última milha no Brasil
Por que o frete sobe mesmo quando a venda cresce
O custo unitário da entrega tem dois motores que andam soltos do volume vendido: o combustível e a falta de alternativa de transporte.
Numa consulta a 28 operadores logísticos, o aumento médio percebido no diesel chegou a 19,4% em poucos dias. O combustível pode responder por 40% dos custos de operação de uma transportadora.
A rigidez do meio de transporte fecha a armadilha. No mesmo levantamento, 80% das movimentações do setor usam um único meio de transporte, e só 31% combinam mais de um.
Para onde vai o produto devolvido
A devolução é uma segunda operação, com custo próprio
Voltar custa mais que ir. Uma reportagem registra devolução de 17% a 30% do volume comprado no e-commerce brasileiro, contra 8,9% nas lojas físicas.
A faixa varia muito por categoria: moda fica entre 30% e 40%, calçados entre 25% e 35%, e beleza entre 5% e 10%. Processar uma devolução pode custar de 20% a 65% do valor original do produto.
O destino da mercadoria que volta decide se o prejuízo é parcial ou total. Num grande varejista, cerca de 220 mil unidades devolvidas foram triadas num período recente. Quase metade retornou aos fornecedores, e outra parte foi reparada e revendida como saldo.
Prazo prometido virou vantagem comprada com capital
Quem promete quarenta e oito horas paga em concreto e em estoque adiantado. O Mercado Livre investiu R$ 34 bilhões no Brasil em 2025 e ampliou de 17 para 27 centros de fulfillment, o armazém que separa e despacha o pedido. No último trimestre daquele ano, entregou 75% dos pedidos em até 48 horas.
Para o ano seguinte, o Mercado Livre anunciou R$ 57 bilhões e 14 novos centros, chegando a 42 no total. A Amazon Brasil soma 250 centros logísticos, e a Shopee opera 16 centros de distribuição.
O que a retaguarda ainda controla
Sem capital para montar malha própria, o que sobra para apertar o custo é a informação. O e-commerce brasileiro faturou R$ 235,5 bilhões em 2025, com 438,9 milhões de pedidos. O ticket médio (quanto cada cliente gasta, em média, por compra) ficou em R$ 536,60. Esse volume todo só se sustenta com controle fino.
Volte à loja de moda e calçados do início. A segunda pilha na doca deixa de ser surpresa quando cada devolução entra no sistema com motivo, categoria e destino no mesmo dia em que chega. Enquanto isso ficar fora do registro, o custo de entregar só aparece no fechamento, quando já virou margem perdida.