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Backend e gestão

Quanto custa entregar, e quanto custa receber de volta

Atualizado em 29 de agosto de 2026

A entrega de última milha no Brasil movimenta cerca de USD 2,9 bilhões por ano. Esse trecho final concentra de 40% a 50% do custo logístico na América do Sul. Do outro lado da doca, entre 17% e 30% do que o brasileiro compra online volta para a loja, contra 8,9% nas lojas físicas. Entregar e receber de volta são duas operações, e as duas custam.
Mordor Intelligence, última milha no Brasil em 2026USD 2,92 bilhões
Mordor Intelligence, América do Sul40% a 50% do custo logístico, pela consultoria
Devolução no e-commerce brasileiro, novembro e dezembro de 202517% a 30% pela Exame e 20% a 40% pela Ebit|Nielsen
ABOL, operadores logísticos, agosto de 2026R$ 247 bilhões em 2025, alta de 29% em dois anos

Esta página explica por que a entrega e a devolução pesam tanto no custo do e-commerce brasileiro. Serve para quem vende online e sente a margem sumir depois do frete. Ao final, você sabe o que medir na própria operação para reduzir essa perda.

Por que a segunda pilha na doca decide a margem

Pense numa loja de moda e calçados de médio porte. Às seis da tarde, a doca de expedição tem duas pilhas. Uma é a do dia, conferida e esperando o carro da transportadora.

A outra é menor, silenciosa, feita de caixas que voltaram, e é ela que decide a margem do mês.

A última milha come metade da conta logística

O trecho final é o mais caro do percurso. A entrega de última milha no Brasil foi avaliada em USD 2,72 bilhões naquele ano. A estimativa é de USD 2,92 bilhões para o ano seguinte, com projeção de USD 3,92 bilhões para 2031.

Esse trecho responde por 40% a 50% dos custos logísticos totais na América do Sul, por causa da baixa densidade de paradas fora dos grandes centros. Em 2025, o e-commerce capturou 46,07% de toda a demanda brasileira de última milha.

A curva da última milha no Brasil

USD 2,72 biMercado de última milha em 2025
USD 2,92 biEstimativa para 2026
USD 3,92 biProjeção para 2031
Fonte: Mordor Intelligence, Brazil Last-Mile Delivery Market, com dados até janeiro de 2026. Crescimento anual composto de 6,03% entre 2026 e 2031.

Por que o frete sobe mesmo quando a venda cresce

O custo unitário da entrega tem dois motores que andam soltos do volume vendido: o combustível e a falta de alternativa de transporte.

Numa consulta a 28 operadores logísticos, o aumento médio percebido no diesel chegou a 19,4% em poucos dias. O combustível pode responder por 40% dos custos de operação de uma transportadora.

A rigidez do meio de transporte fecha a armadilha. No mesmo levantamento, 80% das movimentações do setor usam um único meio de transporte, e só 31% combinam mais de um.

Para onde vai o produto devolvido

Retorno ao fornecedor: 48%48%1Reparo e revenda como saldo: 27%27%2Reembalagem: 15%15%3Sucata: 10%10%4
  1. Retorno ao fornecedor48%
  2. Reparo e revenda como saldo27%
  3. Reembalagem15%
  4. Sucata10%
Fonte: Grupo Casas Bahia, triagem de cerca de 220 mil unidades no primeiro quadrimestre de 2025, em entrevista à Exame, 25 de novembro de 2025.

A devolução é uma segunda operação, com custo próprio

Voltar custa mais que ir. Uma reportagem registra devolução de 17% a 30% do volume comprado no e-commerce brasileiro, contra 8,9% nas lojas físicas.

A faixa varia muito por categoria: moda fica entre 30% e 40%, calçados entre 25% e 35%, e beleza entre 5% e 10%. Processar uma devolução pode custar de 20% a 65% do valor original do produto.

O destino da mercadoria que volta decide se o prejuízo é parcial ou total. Num grande varejista, cerca de 220 mil unidades devolvidas foram triadas num período recente. Quase metade retornou aos fornecedores, e outra parte foi reparada e revendida como saldo.

Prazo prometido virou vantagem comprada com capital

Quem promete quarenta e oito horas paga em concreto e em estoque adiantado. O Mercado Livre investiu R$ 34 bilhões no Brasil em 2025 e ampliou de 17 para 27 centros de fulfillment, o armazém que separa e despacha o pedido. No último trimestre daquele ano, entregou 75% dos pedidos em até 48 horas.

Para o ano seguinte, o Mercado Livre anunciou R$ 57 bilhões e 14 novos centros, chegando a 42 no total. A Amazon Brasil soma 250 centros logísticos, e a Shopee opera 16 centros de distribuição.

O que a retaguarda ainda controla

Sem capital para montar malha própria, o que sobra para apertar o custo é a informação. O e-commerce brasileiro faturou R$ 235,5 bilhões em 2025, com 438,9 milhões de pedidos. O ticket médio (quanto cada cliente gasta, em média, por compra) ficou em R$ 536,60. Esse volume todo só se sustenta com controle fino.

Volte à loja de moda e calçados do início. A segunda pilha na doca deixa de ser surpresa quando cada devolução entra no sistema com motivo, categoria e destino no mesmo dia em que chega. Enquanto isso ficar fora do registro, o custo de entregar só aparece no fechamento, quando já virou margem perdida.

Perguntas frequentes

Qual taxa de devolução um lojista brasileiro deve usar como referência?

Para uma loja generalista, a faixa publicada fica entre 17% e 30% do volume vendido online. Outra leitura, feita por categoria, aponta de 20% a 40%.

Para quem opera moda ou calçados, a referência sobe. Moda fica entre 30% e 40%, e calçados entre 25% e 35%.

Beleza fica na ponta baixa dessa régua, entre 5% e 10%. Vale escolher a faixa da sua categoria antes de montar o orçamento do frete de volta.

Por que o custo de entrega sobe mesmo em anos de venda crescente?

Porque o preço do trecho final responde ao combustível e à estrutura de transporte. Os dois andam soltos do faturamento da loja.

Numa consulta a 28 operadores logísticos, a alta média percebida no diesel chegou a 19,4%. O combustível pode responder por 40% dos custos de operação.

A rigidez do transporte fecha a conta. Em 80% das movimentações do setor há um único meio de transporte, o que reduz a margem de negociação de quem embarca.

Vale a pena tentar competir em prazo com marketplace grande?

Para um varejista de médio porte, costuma sair mais barato comprar o prazo do que construir a malha. O Mercado Livre investiu R$ 34 bilhões no Brasil e anunciou R$ 57 bilhões para o ano seguinte.

Com esse dinheiro, a empresa chega a 42 centros de distribuição próprios. A Amazon Brasil informou 250 centros logísticos no país.

A exceção é a loja concentrada numa região. Nesse caso, uma malha curta e própria pode bater o prazo médio nacional.

Fontes. Mordor Intelligence, Brazil Last-Mile Delivery Market, dados até janeiro de 2026; Mordor Intelligence, South America E-commerce Logistics Market, 2026; ABOL, Perfil dos Operadores Logísticos, 20 de agosto de 2026; ABOL, pressão do diesel sobre os custos, 30 de março de 2026; Exame, devoluções no varejo e triagem do Grupo Casas Bahia, 25 de novembro de 2025; Ebit|Nielsen e Optoro, citados por Troque e Devolva, 1 de dezembro de 2025; Abiacom e Loggi, via O Globo, 25 de agosto de 2026; Valor Econômico, Revista Logística, força dos marketplaces, 10 de abril de 2026; Carta de Logística, investimento do Mercado Livre para 2026, junho de 2026. Curadoria Brasil GEO, Alexandre Caramaschi, 2026.