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Backend e gestão

Por que a fraude cai e o financeiro não fecha a conta

Atualizado em 29 de agosto de 2026

A fraude no cartão perde participação e, ao mesmo tempo, o número de ataques cresce. Os dois movimentos convivem porque medem coisas diferentes: um divide perda por valor aprovado, o outro conta tentativas barradas. Para a loja, o custo maior está na recusa indevida e na conciliação que não fecha.
Abecs, Monitor de Fraudes, 3º trimestre de 202534,5 pontos-base no não presencial
Serasa Experian, balanço divulgado pela companhia, janeiro de 2026R$ 70 bilhões em fraude evitada em 2025
Núclea, antecipação de recebíveis de cartãoR$ 614,9 bilhões em 2025, alta de 43%
Multa administrativa por infraçãoAté 2% do faturamento (Lei 13.709, de 2018)

Esta página explica por que a fraude no cartão está caindo e, ainda assim, o financeiro tem mais trabalho para fechar a conta. Serve para quem concilia pedido, pagamento e repasse todo mês. Ao final, você sabe onde investir primeiro: segurança ou integração.

Por que as três telas do financeiro nunca batem

Pense numa loja de eletrônicos que vende celular pelo marketplace. Na sexta-feira em que o repasse cai na conta, o financeiro abre três telas que deveriam contar a mesma história. São elas: o pedido faturado no sistema de gestão, o extrato da adquirente, empresa que processa o pagamento do cartão, e o relatório de comissões da plataforma.

Quando as três divergem, a semana seguinte vira caça ao que virou estorno, ao que ficou retido por suspeita e ao que nunca foi conciliado.

Fraude com cartão, em pontos-base

3º trimestre de 2022: 54,4 pb54,4 pb13º trimestre de 2025: 34,5 pb34,5 pb2
  1. 3º trimestre de 202254,4 pb
  2. 3º trimestre de 202534,5 pb
Fonte: Abecs, Monitor de Fraudes, 15 de janeiro de 2026. O ponto-base é o valor de fraude dividido pelo valor aprovado e multiplicado por dez mil.

A fraude perde participação enquanto o ataque ganha volume

Os dois indicadores mais citados apontam em direções opostas porque medem grandezas distintas. Um deles mostra o índice de fraude por valor transacionado no ambiente não presencial, compra feita sem o cartão físico presente. Esse índice caiu de 54,4 para 34,5 pontos-base entre o terceiro trimestre de 2022 e o mesmo trimestre de 2025, queda de 36,5%. Ponto-base é o valor de fraude dividido pelo valor aprovado.

O outro indicador contou mais de dez milhões de tentativas de fraude entre janeiro e setembro de 2025, alta de 28,6% na comparação anual.

Perder menos por real aprovado e apanhar mais vezes convivem sem contradição. O filtro melhorou enquanto a fila de ataque crescia.

O pedido recusado custa mais que o pedido fraudado

A régua de aprovação decide receita. O tíquete médio da fraude com cartões no mesmo período foi de R$ 263,50, e o tíquete médio do e-commerce brasileiro ficou em R$ 536,60.

As duas médias vêm de bases diferentes, mas mostram o mesmo ponto: a recusa indevida devolve um pedido inteiro à concorrência.

A taxa de chargeback, o estorno de uma compra contestada pelo cliente, só vira meta operacional com o denominador declarado. Contar sobre pedidos aprovados, sobre valor transacionado ou sobre uma única categoria produz três números diferentes para a mesma loja no mesmo mês.

Marcos da conciliação e do risco

  1. Junho de 2021Registro obrigatório de recebíveis de cartãoO recebível passa a servir de garantia para qualquer instituição credora.
  2. Junho de 2025Pix Automático entra em operaçãoA cobrança recorrente ganha liquidação instantânea, com calendário próprio na conciliação.
  3. Janeiro de 2026Pix Automático obrigatório para todos os bancosA modalidade deixa de depender da adesão de cada instituição.
  4. 26 de janeiro de 2026Adequação mútua de dados entre União Europeia e BrasilO fluxo de dados pessoais entre os dois blocos dispensa salvaguardas adicionais.
Fonte: Banco Central do Brasil (registro de recebíveis e Pix Automático); decisão de adequação entre União Europeia e Brasil de 26 de janeiro de 2026, em compilação do Recording Law.

O caixa mudou de forma antes de o risco mudar

A conciliação, o trabalho de conferir se pedido, pagamento e repasse combinam, ficou mais difícil porque a venda passou a liquidar em três relógios diferentes.

O Pix respondeu por 50,2% dos pedidos e 41% do valor numa amostra de mais de cem mil lojas, e liquida na hora. O crédito concentra valor e prazo, com o parcelado sem juros em quase 43% do que passa no cartão. O repasse do marketplace segue o calendário próprio da plataforma.

A antecipação de recebíveis virou a válvula desse descompasso. Ela saltou de R$ 428,6 bilhões para R$ 614,9 bilhões em 2025, alta de 43% e três vezes o ritmo do próprio cartão de crédito. Desde 2021 o registro do recebível é obrigatório, o que permite oferecê-lo como garantia a qualquer instituição credora.

As quatro contas do financeiro

R$ 70 biTentativas de fraude evitadas no Brasil em 2025Serasa Experian, balanço divulgado pela companhia, 22 de janeiro de 2026
R$ 614,9 biRecebíveis de cartão antecipados em 2025, alta de 43% no anoNúclea, 14 de abril de 2026
50,2%Pedidos pagos com Pix em amostra de mais de cem mil lojasNuvemshop, levantamento divulgado em 21 de julho de 2026
R$ 50 miTeto da multa por infração à lei de proteção de dadosLei 13.709, de 2018, artigo 52, inciso II
Fonte: Serasa Experian, Núclea, Nuvemshop e Lei 13.709, de 2018.

Dado de cliente virou infraestrutura de risco, com preço e com multa

Decidir aprovação em tempo real depende de histórico consolidado, e esse histórico tem preço declarado.

O mercado brasileiro de plataformas de dados de cliente deve crescer bastante nos próximos cinco anos. Deve sair de US$ 263,41 milhões para US$ 908,93 milhões, mais de 28% ao ano, com o varejo digital respondendo por perto de 27% do total.

O limite jurídico vem da LGPD (a lei que protege os dados do cliente e limita o que você guarda). A multa administrativa alcança 2% do faturamento no Brasil, com teto de R$ 50 milhões por infração.

Volte à loja de eletrônicos do início. A sexta-feira do repasse deixa de doer quando as três telas leem a mesma chave de pedido e a mesma data de liquidação. É trabalho de integração antes de ser trabalho de segurança, e o custo de adiá-lo aparece na margem, não no relatório de fraude.

Perguntas frequentes

A fraude no e-commerce brasileiro está caindo ou subindo?

Depende da régua. Quem mede perda sobre o valor aprovado vê queda. Entre o terceiro trimestre de 2022 e o de 2025, o índice no ambiente não presencial recuou de 54,4 para 34,5 pontos-base. Quem conta tentativas de ataque vê alta: foram mais de dez milhões entre janeiro e setembro de 2025, 28,6% acima do ano anterior. Uma loja pequena sente a sequência de ataques no caixa antes de ela aparecer em qualquer índice.

Qual taxa de chargeback devo usar como meta na minha loja?

Use a série da sua própria loja, com o denominador escrito ao lado: estorno sobre pedidos aprovados no mês, separado por categoria e por meio de pagamento. Número publicado por fornecedor serve de referência para quem vende no mesmo recorte. Ele deixa de servir quando o tíquete, o canal ou a categoria são outros.

Fontes. Abecs, Monitor de Fraudes, 15 de janeiro de 2026; Abecs, balanço do setor de cartões em 2025, 11 de fevereiro de 2026; Serasa Experian, integração com a ClearSale e balanço de fraude de 2025, 22 de janeiro de 2026; Nuvemshop, participação do Pix nas vendas online, 21 de julho de 2026; Núclea, antecipação de recebíveis de cartões em 2025, 14 de abril de 2026; Abiacom, balanço do varejo digital brasileiro, 25 de agosto de 2026; Mordor Intelligence, Brazil Customer Data Platform Market, consulta de 27 de agosto de 2026; Brasil, Lei 13.709 de 14 de agosto de 2018, artigo 52; Decisão de adequação mútua entre União Europeia e Brasil, de 26 de janeiro de 2026, em compilação do Recording Law. Curadoria Brasil GEO, Alexandre Caramaschi, 2026.