Poucas datas movem de verdade a venda no varejo brasileiro, e cada uma dura um tempo diferente. Serve para quem monta estoque e escala equipe pelo calendário. A próxima parada é a Black Friday de sexta-feira, 27 de novembro de 2026.
Datas do varejo em 2026 e 2027
As datas abaixo seguem lei ou regra fixa e já podem entrar no planejamento dos dois anos. Cada uma traz, entre parênteses, o texto legal que a define.
- Dia do Consumidor: 15 de março, domingo em 2026 e segunda-feira em 2027 (Lei 10.504/2002).
- Dia das Mães: segundo domingo de maio, 10 de maio de 2026 e 9 de maio de 2027 (Decreto 21.366/1932).
- 12 de outubro: feriado nacional de Nossa Senhora Aparecida, no mesmo dia do Dia das Crianças, segunda-feira em 2026 e terça-feira em 2027 (Lei 6.802/1980).
- Dia de Zumbi e da Consciência Negra: 20 de novembro, feriado nacional. Em 2026 cai numa sexta-feira, uma semana antes da Black Friday; em 2027, num sábado (Lei 14.759/2023).
- Black Friday: sexta-feira, 27 de novembro de 2026, e sexta-feira, 26 de novembro de 2027. A data não tem lei no Brasil. O varejo segue o dia seguinte ao Dia de Ação de Graças dos Estados Unidos, que a lei americana fixa na quarta quinta-feira de novembro, 26 de novembro de 2026 e 25 de novembro de 2027 (5 U.S.C. § 6103).
- Cyber Monday: a segunda-feira seguinte à Black Friday, 30 de novembro de 2026 e 29 de novembro de 2027.
- Natal: 25 de dezembro, feriado nacional, sexta-feira em 2026 e sábado em 2027 (Lei 662/1949).
Por que a expedição já estava cheia antes da Black Friday começar
A expedição enche antes do dia oficial porque o pico do varejo brasileiro esticou. Em novembro de 2025, o e-commerce faturou muito mais fora da sexta-feira do evento do que dentro dela.
O pico virou uma janela de semanas. Ela cobra estoque, equipe e frete com meses de antecedência, e a conta de novembro de 2026 começa a ser fechada em setembro.
Do caderno escolar à Black Friday
- Janeiro de 2026Volta às aulasA papelaria cresceu 60% no canal online sobre janeiro de 2025, de R$ 60,4 milhões para R$ 96,9 milhões, na medição da Neotrust Confi e da Visa Consulting and Analytics.
- 11 a 27 de junho de 2026Fase de grupos da Copa do MundoA CNC estimou, em 2 de junho de 2026 e antes do fim do torneio, R$ 4,32 bilhões adicionais no varejo ao longo da Copa, com cerca de 70% concentrados em alimentos e bebidas.
- Agosto de 2026Confiança do consumidor no menor patamar desde 2022A FGV mediu o Índice de Confiança do Consumidor em 84,7 pontos em agosto de 2026.
- Novembro de 2026Black November e Black FridayA projeção do estudo Black Friday Talks aponta R$ 14,5 bilhões na semana da data, com 18,3 milhões de pedidos e ticket médio de R$ 791. A Black Friday cai em 27 de novembro e a Cyber Monday em 30 de novembro.
- 2027Crédito ainda caroO Boletim Focus do Banco Central projetava Selic de 12,00% ao ano ao fim de 2027, na leitura de 24 de agosto de 2026.
A Black Friday rendeu mais fora do dia do que dentro dele
Entre o início e o fim de novembro de 2025, o e-commerce brasileiro faturou R$ 39,2 bilhões. Foi alta de 36,2% sobre novembro de 2024. No dia oficial da Black Friday, foram R$ 4,76 bilhões, alta de 11% sobre 2024.
A véspera já vinha carregada. Em 27 de novembro de 2025, o canal fez R$ 2,28 bilhões, com calçados na terceira posição, somando R$ 111,7 milhões. O acumulado do fim de semana inteiro somou R$ 10,19 bilhões e 21,5 milhões de pedidos.
O volume subiu e o ticket desceu
O pedido médio encolheu na mesma data em que o faturamento cresceu. Em 2025, o ticket caiu 12,8% no dia do evento e 17,87% na véspera, enquanto os pedidos subiram 28% e 63,2% nas mesmas comparações.
No dia da Black Friday de 2025, outra medição registrou 32,8 milhões de transações online. Na mesma comparação, o e-commerce cresceu 16,1% e o varejo físico recuou 1,9% em 2025. Pedido menor cobra mais separação, embalagem e frete por real faturado. Quem dobra pedidos sem dobrar a expedição troca pico de demanda por atraso e reembolso.
A Copa de 2026 no caixa do varejo
A projeção de 2026 traz mais pedidos, e cada um vale menos
A semana da Black Friday de 2026 deve movimentar R$ 14,5 bilhões no e-commerce brasileiro, com 18,3 milhões de pedidos. O ticket médio projetado, ou seja, o valor gasto em cada compra, é de R$ 791, ante R$ 808,50 na mesma semana de 2025.
Para 2026, o estudo projeta 10,8% mais pedidos, ticket 2,2% menor e uma semana que fatura 8,4% acima do ano anterior. É o desenho de 2025 outra vez.
Esses números medem recortes diferentes da mesma data. Os R$ 14,5 bilhões medem a semana inteira. Já os R$ 39,2 bilhões medem o mês de novembro, e os R$ 4,76 bilhões medem só o dia da sexta-feira. Colocar um contra o outro inventa um crescimento que não existe.
Para quem opera, a leitura é de custo. Mais pedidos pedem mais reserva de estoque, mais nota emitida, mais separação e mais embalagem, com menos receita por pedido para pagar cada etapa.
A projeção da Black Friday de 2026
O consumidor de 2026 chega endividado, e decide em outubro
Segundo o IBGE, as vendas do varejo caíram 0,8% em julho de 2026 ante junho, e móveis e eletrodomésticos recuaram 4,9%. A Selic está em 14% ao ano desde agosto de 2026, e juro nesse patamar segura a compra de bem durável.
O Serasa Experian contou 83,9 milhões de inadimplentes em julho de 2026, com dívida média de R$ 6.920,63 por CPF. É metade da população adulta com nome restrito entrando na maior data do varejo.
A decisão de novembro se toma em outubro. A jornada até a compra leva 35 dias em média e cerca de 49 buscas. Mais da metade das conversões de novembro nasce de busca iniciada no mês anterior.
Em 2026, 86% dos consumidores pretendem usar alguma ferramenta de inteligência artificial na jornada da data. Quem mantém preço, prazo e disponibilidade limpos no catálogo aparece nessa comparação. Quem deixa o dado sujo fica de fora dela.
A Copa de 2026 pagou em camisa e televisão
A CNC estimou um impacto adicional de R$ 4,32 bilhões da Copa do Mundo de 2026 sobre o varejo brasileiro. Foi alta de 6,5% na comparação com a Copa anterior, disputada em 2022, no mesmo levantamento. Na Copa de 2026, alimentos e bebidas concentraram cerca de 70% do total, e vestuário e acessórios ficaram com R$ 803,7 milhões.
No primeiro semestre de 2026, televisores faturaram R$ 9,2 bilhões, alta de 28,9%, e o vestuário esportivo cresceu 139,3%. O desempenho mais fraco de eletrônicos foi associado ao custo do crédito, que trava o financiamento de ticket alto mesmo em data forte.
Black Friday 2025 em quatro datas
Óculos, joia e caderno correm em outro calendário
Nem toda vertical tem novembro como mês decisivo. O varejo óptico recuou 1% em outubro de 2025 frente ao mês anterior. A associação do setor atribuiu a queda à sazonalidade e à ausência de datas promocionais no período.
A papelaria vive do movimento oposto. Em janeiro de 2026, as vendas do setor no canal online cresceram 60% sobre o mesmo mês do ano anterior. Joalheria e semijoias concentram venda em Dia das Mães, Dia dos Namorados e Natal, sem instituto que publique o peso de cada data no ano.
O que 2027 já cobra agora
A segunda metade de 2026 chega com o consumidor apertado. Mais de oito em cada dez famílias brasileiras já tinham algum tipo de dívida, e a confiança do consumidor caiu ao menor patamar desde 2022.
Do lado da demanda, o primeiro semestre de 2026 somou R$ 208,4 bilhões, alta de 16,9% sobre o primeiro semestre de 2025, na mesma apuração. A projeção mais recente aponta juros ainda altos para 2027, e crédito caro empurra o comprador para o pedido menor e mais frequente.
Abra hoje o calendário do time e marque as datas dos dois anos: a Black Friday de 27 de novembro de 2026, com a Cyber Monday em 30 de novembro, e a de 26 de novembro de 2027, com a Cyber Monday em 29 de novembro. Feche o estoque de cada vertical com 45 a 60 dias de antecedência. Trate o ticket menor como premissa do planejamento.