Pular para o conteúdo
Verticais dos clientes Onclick

Moda e calçados em números: onde a grade cobra o preço

Atualizado em 29 de agosto de 2026

Em uma frase. O varejo brasileiro de roupas deve movimentar R$ 314,9 bilhões em 2025, com alta de 6,8% sobre 2024 e 6,4 bilhões de peças vendidas. O varejo de calçados corre em outra unidade, a de pares, com 786,7 milhões consumidos no mesmo ano. O resultado dessa conta se decide na caixa de trocas de tamanho, mais do que no faturamento total.
Varejo de roupas no Brasil em 2025R$ 314,9 bilhões (IEMI)
Peças de roupa vendidas em 20256,4 bilhões (IEMI)
Calçados produzidos no Brasil em 2025847 milhões de pares (Abicalçados)
Calçados consumidos no Brasil em 2025786,7 milhões de pares (Abicalçados)

Esta página mostra quanto o brasileiro gasta com roupa e calçado, e onde a grade de tamanhos cobra o preço mais alto. Serve para quem vende moda ou calçado e lida com troca de numeração todo dia. Ao final, você sabe o que medir para fechar o mês no azul.

Por que a caixa de trocas decide o resultado do mês

Acompanhe uma loja de calçados como cenário. Na segunda-feira, o gerente abre a caixa das trocas. São quatro tênis que voltaram porque apertavam, um par que ficou largo e outro comprado pelo site e devolvido no balcão.

Nenhum deles tem defeito. Todos vão voltar para a prateleira com a numeração errada na etiqueta da venda, e cada um deles já custou frete, tempo de vendedor e espaço no estoque.

Quanto o brasileiro gasta com roupa e calçado em um ano

O varejo brasileiro de roupas deve movimentar R$ 314,9 bilhões em 2025. Esse valor é nominal e cresceu 6,8% sobre o ano anterior. Os calçados são medidos em pares, porque não existe série pública equivalente em reais no varejo ao consumidor.

O volume conta outra história. Foram 6,4 bilhões de peças vendidas, alta de 3,1%, depois de 6,17 bilhões e 6,007 bilhões nos dois anos anteriores.

O faturamento cresce mais rápido que o volume. A diferença aparece no ticket médio (quanto cada cliente gasta, em média, por compra), que subiu sem que a loja vendesse muito mais peças.

Vestuário na mesma régua do IEMI

2023: R$ 278,8 biR$ 278,8 bi12024: R$ 294,8 biR$ 294,8 bi22025: R$ 314,9 biR$ 314,9 bi3
  1. 2023R$ 278,8 bi
  2. 2024R$ 294,8 bi
  3. 2025R$ 314,9 bi
Fonte: IEMI Inteligência de Mercado, 10 de dezembro de 2025. Valores nominais de varejo de vestuário.

A fábrica de calçados encolheu enquanto o importado cresceu

A indústria calçadista brasileira produziu 847 milhões de pares em 2025, com queda de 1,9% sobre o ano anterior. A capacidade instalada recuou de 75,9% para 73%. O consumo caiu na mesma proporção, para 786,7 milhões de pares.

O que cresceu veio de fora. As importações de calçados subiram 20,6%, e China, Vietnã e Indonésia responderam por cerca de 80% do total importado.

As exportações somaram US$ 958 milhões, com queda de 1,8% em receita. O volume embarcado, porém, cresceu 6,7% e chegou a 103 milhões de pares, sinal de par vendido mais barato lá fora.

Capacidade instalada em calçados

  • 202475,9%
  • 202573%
    Ano em que a produção brasileira recuou para 847 milhões de pares, pela Abicalçados.
Fonte: Abicalçados, Relatório Indústria de Calçados Brasil 2026, 2 de junho de 2026.

Nove em cada dez reais de moda ainda saem do provador

A loja física respondeu por 91,2% do faturamento do varejo de roupas, distribuído em 154,8 mil pontos de venda.

A loja de rua e a de shopping seguem sendo o lugar onde a peça é provada, trocada e devolvida. Isso vale inclusive quando a venda nasceu no site, como no par que voltou ao balcão da nossa loja de calçados.

Onde a grade e a numeração cobram o preço da operação

A grade trava a loja de moda e de calçados. Grade é a mistura de tamanho, cor e coleção que multiplica os códigos de uma mesma peça. Uma camiseta única vira dezenas de itens diferentes no estoque.

Nenhuma associação do setor publica uma taxa para esse problema, e por isso cada rede mede pelo próprio estoque. As três dores aparecem juntas no guia de grade, ruptura e sobra.

Calçado em quatro medidas de 2025

847 mide pares produzidos no ano
786,7 mide pares no consumo aparente
20,6%de alta nas importações
US$ 958 mide receita com exportação
Fonte: Abicalçados, Relatório Indústria de Calçados Brasil 2026, 2 de junho de 2026.

2026 chega com juros altos e pouca folga para errar

A projeção para 2026 aponta produção entre 837,3 e 859,4 milhões de pares. É uma banda estreita, que vai de leve queda a leve alta, e sinaliza um ano estável.

O cliente chega apertado. A taxa média de juros ao consumidor no crédito livre sem consignação ficou perto de 64% ao ano. Mais de oito em cada dez famílias declaravam alguma dívida, proporção que sobe entre as de renda mais baixa.

No grupo de tecidos, roupas e calçados, as vendas recuaram 2,6% num mês recente. Com a margem nesse aperto, sobra pouco espaço para errar a compra de coleção.

Volte à loja de calçados do início. A caixa de trocas da segunda-feira vira a diferença entre fechar o mês no azul ou no vermelho. Faça isso hoje: conte as trocas da última semana e separe quantas foram por numeração.

Perguntas frequentes

Qual número usar quando alguém pergunta o tamanho do mercado de moda?

Para roupas, a régua em reais é a do IEMI. Em 2025, ela projetou R$ 314,9 bilhões e 6,4 bilhões de peças vendidas. Calçados têm série própria na Abicalçados, medida em pares produzidos e consumidos. Somar as duas réguas não fecha uma conta publicável, porque cada uma usa uma unidade diferente. Também não existe série pública de calçados em reais no varejo ao consumidor.

Vender calçado pela internet compensa mesmo com a troca por numeração?

Para a maioria das lojas de rua, compensa quando o site divide o mesmo estoque da loja. Com a troca feita no balcão, a devolução vira nova venda em vez de crédito perdido. A numeração varia entre fabricantes, e a troca por tamanho segue sendo o custo recorrente do canal online. Por isso, tabela de medidas por modelo e política de troca clara valem mais que desconto na primeira compra.

O que a projeção da Abicalçados para 2026 muda na compra de coleção?

A projeção aponta produção entre 837,3 e 859,4 milhões de pares no ano, uma banda estreita que sinaliza mercado estável. Para quem compra coleção, a decisão sai do volume e vai para o mix. Com o custo do crédito no patamar de junho de 2026, isso significa apostar em grades mais enxutas e repor rápido o que já está vendendo.

Fontes. IEMI Inteligência de Mercado, Varejo de vestuário deve crescer, apesar dos desafios de 2025, 10 de dezembro de 2025; Abicalçados, Relatório Indústria de Calçados Brasil 2026, 2 de junho de 2026; IBGE, Pesquisa Mensal de Comércio, 13 de agosto de 2026; CNC, Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, 6 de agosto de 2026; Banco Central e CNC, taxa média ao consumidor no crédito livre e endividamento por faixa de renda, 26 de agosto de 2026; Curadoria Brasil GEO, Alexandre Caramaschi, 2026.