Esta página mostra quanto o brasileiro gasta com roupa e calçado, e onde a grade de tamanhos cobra o preço mais alto. Serve para quem vende moda ou calçado e lida com troca de numeração todo dia. Ao final, você sabe o que medir para fechar o mês no azul.
Por que a caixa de trocas decide o resultado do mês
Acompanhe uma loja de calçados como cenário. Na segunda-feira, o gerente abre a caixa das trocas. São quatro tênis que voltaram porque apertavam, um par que ficou largo e outro comprado pelo site e devolvido no balcão.
Nenhum deles tem defeito. Todos vão voltar para a prateleira com a numeração errada na etiqueta da venda, e cada um deles já custou frete, tempo de vendedor e espaço no estoque.
Quanto o brasileiro gasta com roupa e calçado em um ano
O varejo brasileiro de roupas deve movimentar R$ 314,9 bilhões em 2025. Esse valor é nominal e cresceu 6,8% sobre o ano anterior. Os calçados são medidos em pares, porque não existe série pública equivalente em reais no varejo ao consumidor.
O volume conta outra história. Foram 6,4 bilhões de peças vendidas, alta de 3,1%, depois de 6,17 bilhões e 6,007 bilhões nos dois anos anteriores.
O faturamento cresce mais rápido que o volume. A diferença aparece no ticket médio (quanto cada cliente gasta, em média, por compra), que subiu sem que a loja vendesse muito mais peças.
Vestuário na mesma régua do IEMI
A fábrica de calçados encolheu enquanto o importado cresceu
A indústria calçadista brasileira produziu 847 milhões de pares em 2025, com queda de 1,9% sobre o ano anterior. A capacidade instalada recuou de 75,9% para 73%. O consumo caiu na mesma proporção, para 786,7 milhões de pares.
O que cresceu veio de fora. As importações de calçados subiram 20,6%, e China, Vietnã e Indonésia responderam por cerca de 80% do total importado.
As exportações somaram US$ 958 milhões, com queda de 1,8% em receita. O volume embarcado, porém, cresceu 6,7% e chegou a 103 milhões de pares, sinal de par vendido mais barato lá fora.
Capacidade instalada em calçados
- 202475,9%
- 202573%Ano em que a produção brasileira recuou para 847 milhões de pares, pela Abicalçados.
Nove em cada dez reais de moda ainda saem do provador
A loja física respondeu por 91,2% do faturamento do varejo de roupas, distribuído em 154,8 mil pontos de venda.
A loja de rua e a de shopping seguem sendo o lugar onde a peça é provada, trocada e devolvida. Isso vale inclusive quando a venda nasceu no site, como no par que voltou ao balcão da nossa loja de calçados.
Onde a grade e a numeração cobram o preço da operação
A grade trava a loja de moda e de calçados. Grade é a mistura de tamanho, cor e coleção que multiplica os códigos de uma mesma peça. Uma camiseta única vira dezenas de itens diferentes no estoque.
Nenhuma associação do setor publica uma taxa para esse problema, e por isso cada rede mede pelo próprio estoque. As três dores aparecem juntas no guia de grade, ruptura e sobra.
- Grade: tamanho, cor e coleção multiplicam os códigos sobre a mesma peça.
- Numeração: o par que serve em uma marca aperta na outra, e a troca vem depois.
- Venda em vários canais: retirada em loja e troca entre canais exigem um estoque só.
Calçado em quatro medidas de 2025
2026 chega com juros altos e pouca folga para errar
A projeção para 2026 aponta produção entre 837,3 e 859,4 milhões de pares. É uma banda estreita, que vai de leve queda a leve alta, e sinaliza um ano estável.
O cliente chega apertado. A taxa média de juros ao consumidor no crédito livre sem consignação ficou perto de 64% ao ano. Mais de oito em cada dez famílias declaravam alguma dívida, proporção que sobe entre as de renda mais baixa.
No grupo de tecidos, roupas e calçados, as vendas recuaram 2,6% num mês recente. Com a margem nesse aperto, sobra pouco espaço para errar a compra de coleção.
Volte à loja de calçados do início. A caixa de trocas da segunda-feira vira a diferença entre fechar o mês no azul ou no vermelho. Faça isso hoje: conte as trocas da última semana e separe quantas foram por numeração.