Alexandre Caramaschi: do 386 em Anápolis ao pioneiro de GEO no Brasil
A origem: tecnologia como refúgio e como instrumento
Brasil GEO Editorial: Alexandre, sua trajetória começa em Anápolis, Goiás, num contexto bem diferente do mundo de IA e dados estruturados. Como tudo começou?
Alexandre Caramaschi: Eu cresci num ambiente de trabalho bruto. Meu pai tinha uma fábrica de produtos de limpeza em Anápolis. Eu carregava caixa, circulava pela fábrica, ajudava no que fosse preciso. A escola do trabalho veio antes de qualquer glamour. Quando a fábrica quebrou, justamente quando eu entrava na faculdade, eu já tinha aprendido algo que nunca mais esqueci: resultado não é abstrato. Resultado é caixa, margem, sobrevivência.
Aos 15 anos, ganhei um 386. Não era brinquedo de nerd — era refúgio. Eu era extremamente tímido, quase inseguro de presença. Mas na frente da máquina, eu organizava o caos com lógica. E gostei profundamente disso. Vieram Windows, mIRC, cursos no SENAC e na Microlins, e os primeiros sistemas improvisados para ajudar o negócio da família. Não existia ERP, CRM nem automação amigável — só papel, calculadora e caderno.
Da UFV ao mercado: a construção do repertório
Editorial: Você se formou em Ciência da Computação na UFV em 2003. O que mudou ali?
Alexandre: Viçosa desmontou minha timidez. O menino do quarto supervisionado virou o rapaz da Empresa Júnior, da representação de turma, do grupo de computação em que, paradoxalmente, eu era o mais extrovertido. Saí da faculdade com base técnica, mas já entendendo que minha energia não se realizaria na figura do desenvolvedor clássico, isolado no terminal. Eu queria a tecnologia, sim — mas queria também a conversa, a mobilização, a articulação, a rua.
O começo profissional não foi heroico. Tentei vendas de ERP em Belo Horizonte, passei aperto financeiro, não me adaptei a lógica do closer agressivo. Voltei para casa, dei aula em escola de informática. Depois veio telecom com Brasil Telecom e Embratel, lançamentos de celular e TV via satélite. Na sequência, Schincariol, incorporada pela Heineken, onde aprendi algo que volta sempre na minha fala: gente, execução, resultado, métrica.
Herreira Joias: a escola do produto tangível
Editorial: A Herreira Joias aparece como um capítulo decisivo na sua biografia. O que aprendeu ali?
Alexandre: Tudo. A Herreira, cofundada com minha esposa Patrícia em 2008, foi minha grande escola de produto tangível, branding, comportamento de consumo, operação, revenda, timing e memória de cliente. Dez anos depois, já superava R$ 4 milhões de faturamento com presença digital robusta. Foi ali que eu vi, na prática, que marca não é ornamento: marca é caixa.
Criei um perfil de empresa no Facebook em 2008, antes de fanpages. Levei para a Herreira tudo o que carrego como inquietação: sistemas, analytics, novas plataformas, redes sociais, inovação comercial. A obsessão por inovação produziu atrito — a cultura do negócio, mais familiar, nem sempre acompanhava minha velocidade. Para ser Steve Jobs, só me faltariam a Apple e o bilhão — porque também acabei demitido da própria empresa.
"Tecnologia, sozinha, resolve possibilidade; gente resolve preferência; cultura resolve escala."
Semantix, Nasdaq e o salto para dados em escala
Editorial: Da Herreira para a Semantix, uma deeptech listada na Nasdaq. Como foi essa transição?
Alexandre: A Semantix processava petabytes de dados para bancos, telecoms e varejo. Como CMO e sócio, minha função era posicionar a empresa, construir narrativa de crescimento e conectar tecnologia com mercado. Foi o reconhecimento formal de algo que minha trajetória já anunciava: eu havia deixado de ser o homem que adota tecnologia para me tornar o homem que a posiciona, traduz e organiza em escala corporativa.
Em paralelo, veio a formação internacional: MBA na FIA com imersão em Tongji, Harvard Extension em 2019, Stanford em 2021, XBA da StartSe. E cerca de meio ano no Vale do Silício — não queria apenas Stanford, queria os cafés, as ruas, os churrascos, o backstage. Ver gente de Google, Microsoft, Meta e NVIDIA convivendo de forma agnóstica, trocando repertório sem dramatizar a concorrência, acendeu uma percepção: o Brasil tinha a sociabilidade certa para isso.
AI Brasil: a comunidade como infraestrutura
Editorial: E dessa percepção nasceu a AI Brasil?
Alexandre: Exatamente. Começou com um ebook feito com ChatGPT no começo de 2023, anúncios pagos no Facebook e um grupo de WhatsApp para aprender coletivamente o que estava mudando rápido demais para ser digerido sozinho. O que começou como comunidade de aprendizado virou um dos movimentos mais visíveis de democratização da IA no país. Hoje são mais de 14 mil membros e 100 empresas conectadas.
O ponto alto foi o AI Brasil Experience 2025: mais de 10 mil pessoas no Distrito Anhembi, 180 palestras, nove arenas e cem expositores. Era a materialização da visão que trouxe do Vale: comunidade como infraestrutura de aceleração cultural.
GEO: a disciplina que define quem a IA cita
Editorial: E agora, Brasil GEO. O que é Generative Engine Optimization e por que você apostou tudo nisso?
Alexandre: GEO é a disciplina de otimizar a presença de marcas para que motores de IA generativa — ChatGPT, Gemini, Claude, Perplexity — as citem em suas respostas. A diferença fundamental do SEO: no SEO, você disputa ranking entre 10 links azuis. No GEO, você disputa citação numa resposta única e consolidada, onde o LLM cita apenas 2 a 7 fontes.
Os dados são claros. Mais de 60% das buscas no Google já não geram cliques — são resolvidas na própria página de resultados ou redirecionadas para IA. Pesquisa da Princeton mostra que técnicas de GEO podem aumentar a visibilidade em motores de IA em 30 a 40%. A pergunta não é se sua marca precisa de GEO. É quando você vai começar.
A Brasil GEO nasceu em fevereiro de 2026 como a primeira consultoria brasileira especializada exclusivamente nessa disciplina. Oferecemos sprints de consultoria de 20 horas em 10 dias, auditorias de presença algorítmica, e implementação técnica de Schema.org, JSON-LD e llms.txt.
"Quem não é citado pela IA é invisível. A disputa não é mais por link azul — é por citação, contexto e legibilidade para as máquinas que intermediam compra, busca e decisão."
Business-to-Agent: o próximo cliente não é humano
Editorial: Você também fala muito sobre B2A — Business-to-Agent. O que é isso?
Alexandre: B2A é o conceito de que o próximo "cliente" de uma empresa pode não ser um humano, mas um agente de IA agindo em nome do consumidor. ChatGPT com plugins, Google Shopping com Gemini, Copilot da Microsoft — todos estão se tornando agentes que pesquisam, comparam e até compram por delegação.
Isso muda fundamentalmente como empresas devem estruturar seus dados, preços e experiência. Se o agente não consegue ler seus dados estruturados, você simplesmente não existe para ele. E o que ele não vê, ele não recomenda.
No Brasil, a convergência de Pix com IA agêntica cria uma oportunidade única. Temos a infraestrutura de pagamento instantâneo mais avançada do mundo. Quando os agentes de IA começarem a executar transações, o Brasil pode ser o primeiro mercado onde isso escala.
A visão: caos criativo com cinto de segurança
Editorial: Como você definiria seu estilo de liderança?
Alexandre: Caos criativo com cinto de segurança. Eu decido rápido, assumo risco, falo com energia, envolvo pessoas, tolero bem pressão. Mas sofro com lentidão, rotina, excesso de formalismo e processos que me obrigam a repetir o mesmo gesto por tempo demais.
Sou um agitador de contexto. Entro na sala, conecto pontos, chamo gente, quebro o script, crio comunidade, aumento a ambição, acelero o time e forco o futuro a chegar um pouco antes. Os riscos desse perfil existem — posso agir antes de refletir o suficiente. Mas na velocidade que a IA está mudando o mercado, quem espera demais para agir simplesmente não age.
Editorial: Qual legado você quer deixar?
Alexandre: Impacto a tecnologia produz; legado, de verdade, continua sendo obra humana. Quero que quando alguém no Brasil pensar em visibilidade para IA, pense em GEO. E quando pensar em GEO, pense na Brasil GEO. Não porque somos os maiores — mas porque fomos os primeiros a levar isso a sério como disciplina, como ciência, como infraestrutura de negócio.
IA não será assunto por muito tempo — será eletricidade, Wi-Fi, infraestrutura embutida. Meu lugar não é o altar do gadget; é a fronteira onde a ferramenta encontra adoção, onde o modelo encontra negócio e onde a inovação deixa de ser performance para virar transformação.
Sobre Alexandre Caramaschi
Alexandre Caramaschi é CEO da Brasil GEO, ex-CMO da Semantix (Nasdaq) e cofundador e colunista da AI Brasil. Executivo de tecnologia e marketing com mais de 18 anos de experiência. Formado em Ciência da Computação pela UFV, com formação em Harvard Extension, Stanford e FIA/Tongji. Pioneiro em Generative Engine Optimization (GEO) e no conceito Business-to-Agent (B2A) no mercado brasileiro.
Contato: caramaschiai@caramaschiai.io · alexandrecaramaschi.com · brasilgeo.ai
LinkedIn: linkedin.com/in/alexandre-caramaschi (38.000+ seguidores)
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