Cenário deste guia: uma rede de moda com sete lojas monta o orçamento do ano que vem. A pergunta é onde colocar o dinheiro, entre sistema, loja virtual, anúncio e estoque. Abaixo estão as mudanças de 2027 que já têm data ou número publicado.
O que já mudou no bolso do cliente?
O cliente comprou mais vezes e gastou menos por vez. No primeiro semestre de 2026, os pedidos do e-commerce brasileiro subiram 34,8% e o ticket médio caiu 13,3%. Ticket médio é quanto cada cliente gasta, em média, por compra.
A cesta também encolheu: 1,97 item por pedido, contra 2,25 antes. Para a rede de moda, isso significa mais caixas para embalar, mais fretes e a mesma receita. O custo por pedido passa a decidir a margem.
A conta prática é esta. Se o frete e a embalagem de um pedido pequeno comem o lucro da peça, cada pedido a mais piora o resultado. Revisar a tabela de frete e o valor mínimo do pedido vale mais que ampliar a verba de anúncio.
Onde cada tendência bate
Intensidade com que cada tendência cobra trabalho em cada camada de um varejista de porte médio.
Onde o cliente vai procurar o seu produto?
Em três lugares, em ordem de tamanho. O primeiro continua sendo o marketplace: Mercado Livre, Amazon e Shopee juntos ficaram com 76,6% a 82,5% dos acessos aos maiores sites de compra do país.
O segundo é a busca de sempre, no Google. O terceiro é novo e cresce rápido. Em dezembro de 2025, 44,9 milhões de brasileiros usaram assistentes de inteligência artificial. A entrada em grandes varejistas vinda do ChatGPT cresceu 217% no ano.
Antes de mudar o orçamento por causa disso, olhe o tamanho. Em 2025, esse tráfego vindo de assistente ainda foi menos de 0,15% do total mundial. É um canal para preparar com cadastro bem-feito, e não para financiar com verba tirada do que já vende.
Mais pedidos, ticket menor
Por que a venda continua se perdendo no carrinho?
Porque a tela de pagamento envelheceu enquanto o resto mudou. Em 344 sites medidos, 64% dos carrinhos de computador têm experiência medíocre ou pior. Corrigir os problemas de uso já catalogados eleva a conversão em até 35,26%.
Conversão é a parte dos interessados que vira cliente pagante. Subir esse número depende de arrumar campo, prazo visível, frete calculado antes e opção de pagamento clara, tudo isso sem comprar mídia nova.
O Pix é a opção que o cliente brasileiro já escolheu. Ele respondeu por 42% das compras online em 2025 e, no primeiro semestre de 2026, apareceu em 52% das transações e em 35,2% do valor. Ele domina em número de pedidos, e o cartão ainda pesa mais em reais.
Pix: régua por pedido e por valor
- Pix por transação, 1S202652%Base própria da Appmax, 24 de agosto de 2026, com mais de 8,4 mil lojas.
- Pix por valor, 1S202635,2%Appmax, 24 de agosto de 2026.
- Pix nas compras online, 202542%Estimativa de mercado da Ebanx com dados da PCMI, 10 de fevereiro de 2026.
O que a lei já marcou para 2027?
A parte fiscal é a única com data escrita. Em 2027 entram em cobrança plena a CBS e o Imposto Seletivo, e o PIS e a Cofins acabam. O IBS, o imposto que substitui o ICMS e o ISS, é cobrado a 0,1% em 2027 e em 2028.
O split payment é a peça sem data. Ele é o desconto do imposto direto no ato do pagamento, antes de o dinheiro chegar à sua conta. A lei deixou o calendário para um ato do comitê gestor do IBS com a Receita Federal.
A obrigação de hoje é outra e já está valendo. A NF-e e a NFC-e são as notas da venda pela internet e do balcão. Desde 3 de agosto de 2026, as duas precisam trazer os campos de IBS e CBS. A recusa automática da nota sem esses campos segue suspensa, sem prazo de retomada.
Para a rede de moda, isso é tarefa de sistema antes de ser tarefa de contador. O emissor de nota precisa preencher os campos novos agora, enquanto a recusa está suspensa e o erro sai barato.
Marcos de 2025 a 2027
- 29 de setembro de 2025Compra dentro do ChatGPTA OpenAI lança o Instant Checkout com a Stripe, pelo Agentic Commerce Protocol.
- 5 de dezembro de 2025IA move um quinto da Cyber WeekA Salesforce mede US$ 67 bilhões de US$ 336,6 bilhões movidos por IA e agentes na semana.
- 2 de março de 2026TOTVS conclui a compra da LinxAquisição de R$ 3,05 bilhões, a maior da história da companhia.
- 3 de agosto de 2026IBS e CBS dentro da notaNF-e e NFC-e passam a exigir os campos; a rejeição automática segue suspensa desde 31 de julho de 2026.
- Novembro de 2026Cobrança Híbrida no PixMarco obrigatório previsto na agenda do Relatório de Gestão do Pix do Banco Central.
- 2027CBS plena e IA dentro do ERPCBS e Imposto Seletivo em cobrança plena, IBS a 0,1%, e 62% do gasto em ERP em nuvem com IA pela projeção da Gartner.
Onde o custo de 2027 aparece no caixa?
Em três linhas que crescem sozinhas. A primeira é a de pagamentos. A Cobrança Híbrida do Pix passa a ser obrigatória em novembro de 2026, e o Pix internacional e o Pix em garantia estão previstos para 2027.
A segunda é a do dinheiro adiantado. A antecipação de recebíveis somou R$ 614,9 bilhões em 2025, uma alta de 43%, três vezes o ritmo do cartão. Antecipar virou hábito, e cada antecipação come um pedaço da margem da peça vendida.
A terceira é a devolução. No e-commerce brasileiro ela fica entre 17% e 30%, e em moda chega a 40%. Numa rede de sete lojas, a devolução decide se a coleção fechou no azul, então medida de grade e foto fiel valem dinheiro.
Antecipação e devolução em 2025
A inteligência artificial merece verba em 2027?
Merece a verba que vai para dentro do sistema de gestão, e não a que vai para um projeto separado. A previsão de mercado é que 62% do gasto com sistema de gestão em nuvem esteja em produtos com IA embutida em 2027, contra 14% em 2024.
A mesma casa projeta outra coisa junto. Mais de 40% dos projetos de IA que agem sozinhos devem ser cancelados até o fim do mesmo ano. Uma previsão fala de recurso que vem junto com o sistema; a outra fala de projeto que morre no meio.
No Brasil, o que já está medido é o uso pelo cliente: 46,5% recorreram à IA em alguma etapa da compra. Entre empresas, a projeção é que 90% das compras passem por agentes até 2028, e no consumo final americano fala-se em até US$ 1 trilhão até 2030.
Para quem vende roupa hoje, a leitura é direta. Pague pela IA que já vem dentro do sistema que você usa e prepare o cadastro que um assistente precisa ler. Contratar projeto de agente autônomo antes disso é comprar a parte que costuma ser cancelada.
O que preparar agora na sua loja?
Três coisas, na ordem. Primeira: o cadastro de produto, com descrição, atributo, foto e prazo corretos, porque ele alimenta a vitrine, o marketplace e a resposta que o assistente lê. Segunda: o calendário fiscal, com os campos novos da nota já preenchidos.
Terceira: a integração, para que o pedido entre uma vez só e o estoque seja um só. Sem isso, cada canal novo multiplica trabalho manual em vez de multiplicar venda.
Volte agora à reunião de orçamento das sete lojas. Com o cadastro arrumado, a nota no formato novo e os canais ligados, a rede atravessa 2027 sem obra emergencial. O dinheiro que sobra pode ir para a coleção, que é onde a loja de moda ganha.
Se você quer ver o mesmo assunto pelo lado do sistema, comece pela leitura sobre IA dentro do sistema de gestão. Ela mostra por que a IA útil chega junto com o software que a loja já paga.